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Naquela mesa tá faltando ele

Família Bittencourt: Sérgio, D. Adylia, Jacob e Helena. (Foto: Reprodução)

Jacob do Bandolim foi  o apelido da vida toda de  Jacob Pick Bittencourt, um dos maiores nomes do  “chorinho” brasileiro.

Consagrado como compositor e músico, Jacob do bandolim é o autor de  “Noites Cariocas” composta em 1957 , um clássico da nossa música.

 Ao lado de sua casa, no bairro da Lapa, RJ, tinha  um vizinho  francês e deficiente visual  que  tocava diariamente violino, Jacob passava as tardes ouvindo encantado com as melodias.

No seu aniversário de 12 anos, ganhou da mãe o primeiro instrumento, um violino, é claro!

Durante  horas sozinho em casa tocava  e  ensaiava com seu violino,  mas não conseguindo se adaptar ao arco , Jacob passou  a tocá-lo escondido utilizando grampos de cabelo.

Um dia foi descoberto por uma amiga de sua mãe que disse:

Pouco tempo  depois  ganhou seu primeiro bandolim, um modelo de cuia, napolitano. Foi definitivo.

 Jacob estudou em escolas tradicionais do Rio de Janeiro, serviu no CPOR e fez carreira como escrivão da justiça.

Fez muito sucesso em programas de rádio , sem nunca ter estudado música  foi sempre autodidata.

Casou-se  com D. Adylia e o casal teve   dois filhos, Helena e Sérgio  Bittencourt.

 Os mais antigos irão lembrar de  Sérgio Bittencourt , como   jurado nos   programas  de calouros do apresentador Flávio Cavalcanti :  “Um instante maestro” e  “A grande chance”,  programas de TV que foram sucesso em sua época.

Sérgio tinha um temperamento difícil, dizem que era  igual ao pai,  havia brigas constantes e longos afastamentos  entre pai e filho.

Jacob do Bandolim passou sua última tarde em vida  no bairro de Ramos  em visita a seu  amigo Pixinguinha.

 Ao chegar na varanda da sua casa, cansado e esbaforido, teve um ataque cardíaco fulminante e morreu em 13 de agosto de 1969, aos 51 anos de idade.

Abalado com a morte do pai, Sérgio  voltou para a casa da família na mesma noite do falecimento.

 Diante da mesa de jantar onde Jacob costumava se sentar para conversar e tocar, Sérgio compôs a canção :  Naquela mesa.

A música carregada de emoção tornou-se um grande sucesso na voz de Elizeth Cardoso e anos depois com Nelson Gonçalves.

            Naquela mesa 

Naquela mesa ele sentava sempre

E me dizia sempre o que é viver melhor

Naquela mesa ele contava histórias

Que hoje na memória eu guardo e sei de cor

Naquela mesa ele juntava gente

E contava contente o que fez de manhã

E nos seus olhos era tanto brilho

Que mais que seu filho

Eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto

Uma mesa num canto, uma casa e um jardim

Se eu soubesse o quanto dói a vida

Essa dor tão doída não doía assim

Agora resta uma mesa na sala

E hoje ninguém mais fala do seu bandolim

Naquela mesa tá faltando ele

E a saudade dele tá doendo em mim   (…)

Sérgio Bittencourt morreu ainda mais cedo que seu pai , faleceu  aos 38 anos, deixando  esse  “presente” para a música popular brasileira.

 “Naquela mesa”, neste domingo é também uma forma de lembrar e homenagear os pais que já se foram ,  nos confortando  nesta data  das saudades dos tempos da convivência paterna.

Rogério Pons da Silva

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