O chefe da Autoridade do Canal de Suez afirmou que as tentativas de remover o navio porta-contêineres que está encalhado e bloqueando o canal permitiram que sua popa e leme se movessem cerca de 29 metros, mas ainda não se podia prever quando o barco voltaria a flutuar.
O cargueiro Ever Given, de 400 metros e mais de 200 mil toneladas, ficou encalhado na diagonal na parte sul do canal em meio aos fortes ventos no início da terça-feira passada (23), afetando a navegação global ao bloquear uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo.
E, com as mudanças aos poucos das rotas para o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, as empresas temem ataques de piratas aos navios de carga, o que pode prejudicar ainda mais o comércio internacional.
Cerca de 15% do tráfego marítimo global passam pelo Canal de Suez e centenas de navios aguardam para atravessar o canal assim que ele for desobstruído.
O presidente da Autoridade, Osama Rabie, afirmou que espera que não seja necessário retirar alguns dos 18.300 contêineres que estão no navio para aliviar o seu peso, mas admitiu que as marés e ventos fortes estavam complicando os esforços para desencalhá-lo.
“A popa do navio começou a se mover em direção a Suez, e isso foi um sinal positivo, mas a maré caiu significativamente e paramos”, disse Rabie a jornalistas em Suez. “Esperamos que a qualquer momento o navio possa deslizar e se mover do local em que está”.
O cargueiro poderia ser retirado da posição no início da próxima semana, afirmou a empresa envolvida na missão para liberar a via estratégica que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo, onde mais de 300 navios aguardam para fazer a travessia.
“Com os barcos que teremos no local, a terra que já conseguimos dragar e a maré alta, esperamos que seja suficiente para desencalhar o navio no início da próxima semana”, afirmou Peter Berdowski, diretor executivo da Royal Boskalis, a matriz da Smit Salvage, a empresa holandesa contratada para ajudar na operação.
Se isto não for suficiente, será necessário retirar os contêineres para reduzir o peso do cargueiro, advertiu Berdowski, uma solução que levaria muito mais tempo.
Piratas à espreita
Enquanto isso, com cada vez mais navios podendo ser desviados para a rota contornando o Cabo da Boa Esperança, o temor das empresas é que os ataques de pirataria aumentem. Os piratas há muito perseguem os navios que se deslocam nas águas na região do Chifre da África, e os mares da África Ocidental, rica em petróleo, são agora considerados um dos mais perigosos do mundo para o transporte marítimo.
Momentos antes de encalhar, em meio a fortes ventos e a uma tempestade de areia, o Ever Given aparentemente viajava mais rápido do que o limite de velocidade estabelecido pela Autoridade do Canal de Suez, informou a Bloomberg.
A última velocidade registrada do Ever Given foi de 13,5 nós, detectada 12 minutos antes do encalhe, de acordo com dados da Bloomberg. A velocidade máxima permitida através do canal fica entre 7,6 nós e 8,6 nós.
Além disso, o cargueiro gigante nao contava com um rebocador como escolta no canal, de acordo com a agência. Os dois navios imediatamente à frente dele tinham escoltas, embora elas não sejam obrigatórias. E pelo menos um outro cargueiro preferiu esperar a tempestade passar para se aventurar pelo canal.
Segundo Rabie, da da Autoridade do Canal de Suez, de fato não foram apenas as condições meteorológicas as culpadas pelo encalhe. A entidade apontou que “erros humanos ou técnicos” podem estar por trás do ocorrido. De acordo com Rabie, o Egito perdeu entre US$ 12 milhões e US$ 14 milhões por dia em que o canal foi fechado.
