O presidente interino Michel Temer disse nesta sexta-feira (15) que quer unidos em sua base de apoio na Câmara dos Deputados tanto o grupo conhecido como Centrão (partidos de centro-direita que eram da base de apoio da presidenta afastada Dilma Rousseff e que passaram a defender o impeachment) quanto a antiga oposição, formada por DEM, PSDB e PPS, sem fazer distinção entre eles.
Na eleição para a presidência da Câmara, na noite de quarta-feira (13), os dois candidatos do segundo turno representavam esses grupos. Rodrigo Maia (DEM-RJ), que saiu vencedor, e Rogério Rosso (PSD-DF), que tem proximidade com o ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos principais criadores do Centrão. Após a disputa, Rosso disse que vai apoiar Maia ao longo do mandato.
Para Temer, todos fazem parte da base. “Nem centrão nem antiga oposição, o que eu quero é unir a base de apoio e vou trabalhar por isso”, afirmou o presidente interino. Temer disse ainda que vai conversar com partidos de esquerda, que agora fazem parte da oposição, como o PT, para tratar de temas de Estado.
O presidente interino também afirmou que pretende fazer uma reunião com representantes dos três poderes para “conversar sobre o Brasil”. Ele disse ainda que a eleição ajudou a distencionar a Câmara. “Eu acho que distensionei bastante o Executivo, mas confesso que esta eleição da Câmara distensionou a própria Câmara. Esse gesto do Rodrigo [Maia] e do Rosso se abraçando. Liguei para todos os candidatos depois, menos Luiza Erundina e Heráclito Fortes, que não consegui. Mas liguei um a um e disse: você ajudou a distensionar o clima, parabéns.”
Temer, que se reuniu com Maia nesta quinta-feira (14), declarou que a prioridade do governo no Congresso neste momento é aprovar a PEC (proposta de emenda à Constituição) que impõe um teto aos gastos públicos. Segundo ele, Maia está “ciente” dessa prioridade. (AG)
