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Nível do Guaíba começa a baixar, mas vento Sul pode causar nova elevação

Caso se repita, subida da água deve ser temporária. (Foto: Luciano Lanes/Arquivo PMPA)

O nível do Guaíba em Porto Alegre começou a recuar nesse sábado (1º), após atingir a cota de alerta de 2,5 metros no dia anterior. De acordo com a empresa Metsul Meteorologia, porém, as próximas horas exigem atenção devido ao risco de súbita e temporária elevação do nível da água devido ao vento oriundo do quadrante Sul no Norte da Lagoa dos Patos.

Informe publicado no site metsul.com ressalta que os picos de vazão dos rios Taquari e Caí já alcançaram o Guaíba, o que explica a baixa. Também contribuiu para a redução o vento do quadrante Norte que acelerou o escoamento da água rumo à Lagoa.

No começo da noite desse sábado, o nível do Guaíba na régua do cais central da avenida Mauá (Centro Histórico) estava em 2,4 metros, portanto abaixo do pico de 2,53 metros registrado em horário semelhante na noite de sexta-feira (31).

A tendência é de o Guaíba se manter alto nos próximos dias, mas com tendência de gradual recuo. Exceção fica por conta das próximas horas por vento. Prever o nível do Guaíba é muito complexo e difícil, uma vez que há uma série de variáveis diferentes das usadas em um prognóstico de nível de um rio apenas. Há vazão simultânea de múltiplos rios e com os picos de cheia chegando em momentos distintos pelas dimensões das bacias.

O fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba. No caso de agora, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que desaguem no Guaíba.

Há também a variável do vento (meteorológica), que não costuma interferir nos rios que desaguam no Guaíba, mas tem enorme impacto no manancial de Porto Alegre. Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos e sofre os efeitos do vento que sopra na lagoa, seja pela direção ou intensidade. Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais.

No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 a 70 centímetros com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas. O meterologista Luiz Fernando Nachtigall compartilha:

“Preocupa-nos que no final do sábado e em parte do domingo, durante e logo após a passagem de uma frente-fria, pode ventar de Sul forte temporariamente no Norte da lagoa, gerando efeito de represamento e causando súbita elevação. Em caso de subida rápida por vento, no entanto, a elevação será bastante temporária – algumas horas – e o nível deve retomar a curva de queda observada nesse sábado”.

Régua

Nachtigall detalha: “Os dados que utilizamos são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cuja medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre climático de maio de 2024”.

A régua tem valor superior ao indicado na medição da régua informada em algumas páginas na internet, que usam dados do dispositivo instalado na área da Usina do Gasômetro. A utilizada pela Metsul e outros serviços está no ponto oficial de medição da cidade por 150 anos e tem cota de inundação de 3 metros, conhecida amplamente pela população.

Os dados desta régua eletrônica de monitoramento do Guaíba com o gráfico de tendência você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e ainda você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar a qualquer hora. A atual cheia é maior que a da semana passada que teve pico de 2,11 metros no Cais Central no dia 24 de julho.

(Marcello Campos)

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