A eleição para o governo do Rio de Janeiro terá, por enquanto, um segundo turno entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD), marcado para 25 de outubro. Com 100% das urnas apuradas, Ruas recebeu 49,27% dos votos válidos, enquanto Paes ficou com 42,76%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado, porém, ainda está relacionado à situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos), que obteve 3,17% dos votos e teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral.
Os votos atribuídos a Garotinho foram registrados como anulados sub judice. O TSE ainda deverá analisar definitivamente o recurso apresentado pelo ex-governador. Caso os votos sejam invalidados, o percentual de Ruas pode superar a marca de 50% dos votos válidos, o que mudaria o resultado e poderia levar à definição da eleição ainda no primeiro turno.
Perfis
Douglas Ruas, de 40 anos, é natural de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, e é deputado estadual pelo PL. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), ele construiu sua trajetória política principalmente na região de origem e chegou à disputa pelo Palácio Guanabara como candidato apoiado pelo grupo político ligado à família Bolsonaro.
Policial civil e formado em Direito, Ruas ocupou diferentes funções na administração pública de São Gonçalo. Entre 2017 e 2018, foi subsecretário de Trabalho do município. De 2019 a 2020, comandou a Superintendência Regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Em 2021, assumiu a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais da prefeitura.
A nomeação ocorreu durante a gestão de seu pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo pelo PL. A indicação foi questionada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que apontou possível nepotismo. A acusação foi contestada pelo prefeito.
Em 2022, Ruas deixou a administração municipal para concorrer a deputado estadual. Foi eleito pelo PL com cerca de 176 mil votos, terminando como o segundo candidato mais votado para a Alerj naquele pleito. Em 2023, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Estado das Cidades no governo de Cláudio Castro, função que exerceu até março de 2026.
Eduardo Paes, de 56 anos, é advogado e natural da cidade do Rio de Janeiro. Atual candidato do PSD ao governo estadual, disputa o cargo pela terceira vez. Em 2006, quando estava filiado ao PSDB, terminou a eleição para governador em quarto lugar, com 5,33% dos votos. Em 2018, pelo Democratas, chegou ao segundo turno, mas perdeu para Wilson Witzel, do PSC.
Paes iniciou a carreira política nos anos 1990. Foi subprefeito da Zona Oeste do Rio entre 1993 e 1996, vereador a partir de 1997 e deputado federal em dois mandatos. Também ocupou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente durante a gestão de César Maia, em 2001.
Em 2007, após a derrota na eleição para governador, Paes apoiou Sérgio Cabral Filho no segundo turno. Com a vitória de Cabral, foi nomeado secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer. Posteriormente, consolidou sua trajetória no Executivo municipal e foi eleito prefeito do Rio de Janeiro em quatro ocasiões, antes de retornar à disputa estadual em 2026.
O terceiro colocado no primeiro turno, Anthony Garotinho, teve a candidatura marcada por uma disputa judicial. Em setembro, o TRE-RJ indeferiu por unanimidade seu registro, citando suspensão dos direitos políticos decorrente de condenação por improbidade administrativa. Em agosto, o MPRJ havia informado que a condenação havia transitado em julgado e determinado a comunicação à Justiça Eleitoral.
Apesar do indeferimento, Garotinho participou da votação porque uma decisão anterior havia permitido sua campanha enquanto o caso permanecia em análise.
