O general Walter Souza Braga Netto disse, durante em entrevista à TV Globo, nesta quarta-feira (7) que o Exército entra em qualquer local do Estado. “Não existe território que a polícia não entre. Se houver o mandado e a polícia desejar entrar, ela pode entrar com maior dificuldade ou menor dificuldade. Quando ela pede nosso apoio, nós entramos em qualquer lugar do Estado”, afirmou.
Nomeado pelo presidente Michel Temer como interventor na segurança no Rio de Janeiro em 16 de fevereiro, o militar completa 62 anos neste domingo. Antes, ele estava à frente do Comando Militar do Leste – que coordena as ações do Exército nos Estados do RJ, MG e ES.
O general afirmou que as UPPs serão reestruturadas e que as Forças Armadas darão apoio para que as unidades pacificadoras possam funcionar dentro das comunidades.
O interventor na segurança disse que a experiência na Vila Kennedy será usada como modelo para a intervenção, e que vai conseguir armas para equipar as polícias do Rio. Em menos de uma semana, a Vila Kennedy teve duas operações do Exército.
Sobre a estrutura e deficit de efetivo nas polícias, Braga Netto afirmou que devem chegar, até meados de abril, 200 novas viaturas – de um total de mil previstas para o Estado. Disse ainda que policiais cedidos serão convocados a retomar suas funções na segurança.
Veja o que o interventor disse:
– Polícia receberá 200 viaturas em abril (de um total de 1.000), 3 blindados recuperados em 2 semanas e novos armamentos (que não detalhou quais serão, quantos nem quando).
– Haverá retorno de policiais emprestados a outros órgãos, mas não foi dito quantos nem quando. Ainda não há previsão para novos concursos.
– Os novos comandantes das polícias Civil e Militar foram orientados a melhorar o policiamento ostensivo e a auditoria das forças.
– A checagem de moradores é legal. Os mandados de busca serão para uma determinada área, um conjunto de casas. E os observatórios criados para monitorar a intervenção são bem-vindos.
– O projeto das UPPs será reformulado, mas não há definição sobre extinção de 18 unidades.
– Militares poderão atirar para matar se “pessoa estiver armada em [situação de] ameaça”.
UPPs
Braga Netto explicou que o estudo sobre as UPPs que estava sendo feito na gestão Roberto Sá na Segurança Pública será analisado pelo novo secretário, general Richard Nunes, e pelo novo comandante da PM, Luís Claudio Laviano, para fazer uma reestruturação nas unidades pacificadoras.
O general negou a informação de que cerca de 18 UPPs serão extintas. “Tudo que houver sobre números são especulações”, afirmou.
“UPPs que não estiverem apresentando rendimento serão retiradas, outras serão fortalecidas. Mas vai depender do estudo que foi feito”.
Efetivo
O interventor foi questionado sobre o deficit de efetivo policial, que seria de 30 mil homens nas polícias Civil e Militar. Segundo Braga Netto, parte dos cerca de 3 mil policiais cedidos devem retomar suas funções, mas não especificou quantos. O general afirmou que não há definição sobre concurso para a polícia.
