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Nos Estados Unidos, médico que vendia “kit-covid” com cloroquina vai a julgamento e se declara culpado

Jennings Ryan Staley é acusado de comercializar "cura milagrosa" com base em medicamento ineficaz. (Foto: Reprodução)

Acusado de contrabandear hidroxicloroquina para comercializar em um ‘kit Covid-19’, o médico norte-americano Jennings Ryan Staley se declarou culpado em processo movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O medicamento é comprovadamente ineficaz contra o coronavírus. Caso seja condenado, a pena pode chegar a 20 anos de prisão.

Stanley, de 46 anos, confessou os crimes na última sexta-feira (16), quando compareceu a um tribunal federal em San Diego, na Califórnia. O médico vendia o kit-covid como uma ‘cura milagrosa’. Ele atendia em uma clínica especializada em estética.

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o médico comercializou kits-covid nos meses de março e abril do ano passado. No acordo de confissão, ele admitiu que descrevia o tratamento aos pacientes como uma cura “cem por cento”, uma “bala mágica”, uma “arma incrível” e “quase bom demais para ser verdade”. Stanley também afirmou que o remédios forneceriam pelo menos seis semanas de imunidade.

Kits-covid à base de hidroxicloroquina e outros medicamentos, como cloroquina, azitromicina e ivermectina, foram amplamente divulgados e defendidos por autoridades públicas como o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo chefe do Executivo brasileiro, Jair Bolsonaro (sem partido).

Investigações

As investigações mostraram que Stanley tentou contrabandear cerca de 11kg de hidroxicloroquina de um fornecedor chinês. O medicamento daria entrada nos EUA em barris de extrato de inhame.

Provas contra o médico também foram obtidas por meio de agentes do FBI. Os policiais disfarçados entraram em contato com Stanley e um deles comprou seis pacotes de tratamento por US$ 4 mil.

“Staley ofereceu uma bala mágica, uma cura garantida para covid-19 a pessoas dominadas pelo medo durante uma pandemia global”, disse a agente especial do FBI, Suzanne Turner. “Hoje, Staley admitiu que era tudo uma mentira como parte de um golpe para ganhar dinheiro rápido. O FBI continuará a perseguir vigorosamente os médicos que abusam de suas profissões para fraudar vítimas inocentes com truques de falsas esperanças e promessas”, acrescentou.

O médico também confessou ter tentado obstruir a investigação. Quando questionado se teria prometido uma “cura cem por cento eficaz”, ele desconversou e disse que “isso seria tolice”.

“Enquanto os profissionais de saúde em todo o mundo trabalhavam abnegadamente na linha de frente de uma pandemia internacional, este médico usou sua posição de confiança para lucrar com os temores do covid-19”, disse o procurador-geral Randy Grossman. “Estamos empenhados em proteger o povo americano de tais golpes e responsabilizar os golpistas”, finalizou.

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