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Nos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores do Brasil diz que “ninguém está falando em ação armada” na Venezuela

Em entrevista nos EUA, chanceler tem dificuldade em explicar apoio de americanos na Amazônia. (Foto: Reprodução/Twitter)

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, relativizou nesta quinta-feira (12) os termos do TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca), que prevê defesa mútua dos países-membros em caso de ataques externos, e disse que sua possível ativação não significa uma intervenção militar na Venezuela. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

“Cada vez está mais claro que a situação da Venezuela é uma ameaça à segurança da região e que, portanto, o TIAR tem vocação de tratar desse tipo de desafio […] Não significa ação militar, de forma nenhuma, não é isso que nós queremos”, afirmou o chanceler em Washington.

“O TIAR não é simplesmente um acordo de ação militar, é um acordo para ação coletiva diante de ameaças à segurança.”

O chanceler relativizou os termos do pacto assinado em 1947 —que trata de ameaça externa para que seja ativado— e disse que o governo brasileiro vislumbra apenas ações diplomáticas contra o regime do ditador Nicolás Maduro.

A ala militar do governo brasileiro sempre advogou contra qualquer ação intervencionista no país vizinho, mas as posições públicas do presidente Jair Bolsonaro são dúbias sobre o assunto.

“Isso [ameaça externa] é redação do tratado, mas, enfim, a própria existência hoje de um regime como a Venezuela, seja interno seja externo, representa ameaça, e acho que o tratado existe para isso. Independentemente do que está ali na letra, é uma ameaça externa no sentido de que nós estamos diante de uma situação que tem presença terrorista, presença de forças violentas aí”, completou Ernesto.

O chanceler endossou ainda o discurso do governo colombiano de que a presença de integrantes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) na Venezuela agravou a crise na região e exige uma tomada de posição coletiva dos países do continente.

Na quarta-feira (11), o Brasil apoiou o presidente interino na Venezuela, Juan Guiadó, na OEA (Organização dos Estados Americanos), para aprovar a convocação de uma reunião que pode ativar o TIAR.

A resolução —chancelada por 12 dos 19 países que participaram do acordo, incluindo Brasil e EUA— prevê que os ministros de Relações Exteriores das nações participantes se reúnam na segunda quinzena de setembro para tratar do tema e decidir se o pacto de defesa mútua será ou não acionado.

O encontro está previsto para a semana do dia 23 de setembro, às vésperas da abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.

Ainda que a moção fale em “defesa mútua dos países-membros”, não está claro se a convocação do TIAR implicaria em uma intervenção militar.

Alguns diplomatas entendem que o pacto trataria apenas de ataques externos, ou seja, não se aplicaria à atual crise e, em última instância, não haveria apoio suficiente entre as nações participantes para uma ação desse tipo.

Aliados de Guaidó, porém, afirmam que esse é caso, sim, para a invocação do tratado, inclusive prevendo uma intervenção militar no país para depor Maduro.

Na sessão da OEA, nesta quarta, o Brasil chegou a rechaçar uma emenda proposta pela Costa Rica que apoiava o chamado da reunião de consulta para ativação do TIAR, mas falava em “restauração pacífica da democracia na Venezuela”, excluindo expressamente medidas “que impliquem o emprego de força armada”.

Questionado sobre a postura da delegação brasileira, Ernesto mais uma vez minimizou o cenário, disse que, “na verdade, não é que a gente seja a favor”. “Ninguém está falando de ação armada”, repetiu.

O Brasil, porém, poderia ter se colocado como favorável à emenda proposta pela Costa Rica —excluindo a opção militar— ou até mesmo se abstido de votar na ocasião. Mas votou contra.

O chanceler não soube detalhar nenhuma medida ou proposta que será levada pelo Brasil à reunião dos ministros dos países-membro do TIAR, em duas semanas.

Disse apenas que é preciso “fazer uso do tratado para que ele seja um mecanismo de ajuda, para que façamos uma mudança na Venezuela”.

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