Um homem de 60 anos morreu e sua esposa, com a mesma idade, foi hospitalizada nos Estados Unidos no último domingo após se automedicarem ingerindo uma forma de cloroquina, um produto químico recentemente apontado como possível aliado na prevenção e tratamento do novo coronavírus. As identidades dos dois não foram reveladas.
Segundo a National Public Radio, uma organização americana de mídia sem fins lucrativos, o hospital onde o casal ficou internado, em Phoenix, Arizona, informou que o homem e a mulher ingeriram “fosfato de cloroquina, um aditivo comumente usado em aquários para limpar tanques de peixes”. O aditivo para aquário que o casal ingeriu, portanto, não seria o mesmo que o medicamento usado no tratamento da malária, cujo uso é investigado para tratar coronavírus.
“Trinta minutos após a ingestão, o casal apresentou efeitos que exigiam internação”, afirma o comunicado do hospital, de acordo com a NPR. Entre os efeitos, náusea e vômitos. Ainda segundo o informe, o homem morreu de parada cardíaca e a mulher foi internada em estado crítico. Eles não foram testados para o coronavírus.
“Dada a incerteza em torno do Covid-19, entendemos que as pessoas estão tentando encontrar novas maneiras de prevenir ou tratar esse vírus, mas a automedicação não é a maneira de fazê-lo”, disse Daniel Brooks, diretor médico do centro de estudos Banner Poison and Drug Information, do hospital no Arizona, à NPR.
Brooks disse, de acordo com o The New York Times, que o casal leu sobre cloroquina na internet, onde ele aponta haver muitas informações erradas sobre os tratamentos para Covid-19. Ele destacou ainda os perigos da automedicação e que é preciso confiar em fontes oficiais, como a Organização Mundial de Saúde e as autoridades estaduais de saúde para aconselhamento médico – “não a Internet ou os políticos”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacou, na última quinta-feira (19), a cloroquina e a hidroxicloroquina como compostos promissores para prevenção ou tratamento da Covid-19. Trump disse ainda que seu governo simplificou os procedimentos da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) para que possam liberar o medicamento rapidamente.
No Brasil
No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que os laboratórios químicos e farmacêuticos do Exército vão ampliar a produção de cloroquina. A divulgação de estudos apontando para a eficácia da cloroquina levou a uma corrida de brasileiros para farmácias. A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) teve que restringir a venda da droga para pacientes com receitas pelos próximos 30 dias. Além disso, a exportação também foi proibida.
O Ministério da Saúde aguarda um parecer, previsto para a próxima semana, para decidir sobre o uso do composto e hidroxicloroquina para pacientes graves do novo coronavírus. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarou, nesta sexta-feira, que o remédio estaria disponível para o tratamento de casos graves no Brasil.
