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Nota do PT que tratou Nicolás Maduro como “presidente reeleito” da Venezuela virou uma casca de banana para o governo Lula

Lula não reconhece a vitória de Maduro. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A nota da Executiva Nacional do PT que tratou Nicolás Maduro como “presidente reeleito” da Venezuela, sem contestar a lisura do processo eleitoral, virou uma casca de banana para o governo. Mas integrantes da atual gestão admitem que essa não foi a primeira, tampouco será a última vez que o partido do presidente Lula obrigará jogo de cintura de ministros e diplomatas para se equilibrarem em temas que exigem parcimônia, mas se chocam com o pensamento da extrema esquerda do PT. O motivo é simples: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceita.

“O PT sempre foi um partido vertical, hierárquico, e por trás de tudo está Lula. É ele quem manda e decide a função de cada um na legenda e no governo”, ressalta o cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria.

Gabiati diz que o governo tem postura mais sensata e que Lula não pode tomar decisão formal de maneira imprudente. O presidente precisa analisar muitas variáveis antes de se posicionar, inclusive avaliar a pressão dos Estados Unidos.

Para o cientista político, o que ocorre na discussão sobre o ditador Nicolás Maduro é similar ao que acontece na economia. “O suposto embate das alas desenvolvimentista e fiscalista é um pouco ficção. Lula distribui funções entre ministros”, ressalta.

No governo, a certeza manifestada à Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, foi a de que a manifestação do PT causa ruído midiático, mas não vai influenciar a decisão oficial a ser tomada após o recebimento das atas da eleição venezuelana.

Ambiguidade

Ambiguidade é uma palavra que define a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao resultado das eleições na ditadura venezuelana de Nicolás Maduro. E as declarações — ora acenando à extrema esquerda, ora acompanhando o ritmo da diplomacia que aguarda a divulgação das atas de votação — afastam o Brasil do protagonismo de líder na América Latina.

“A capacidade de liderança regional do Brasil já está afetada. O Uruguai liderou a manifestação de oito países manifestando preocupação quanto à lisura e à transparência da apuração. A tentativa de mediação na crise é apenas narrativa do PT”, avalia o presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), Rubens Barbosa, que foi embaixador do Brasil em Londres e em Washington.

Para Barbosa, a situação ficará pior se o governo brasileiro reconhecer a eleição de Maduro. “A eventual decisão de reconhecer a eleição de Maduro, o que acho difícil, depois da apresentação das atas, afetaria muito a percepção externa sobre a política externa do atual governo. Seria a prevalência da ideologia e dos interesses partidários sobre os reais interesses nacionais”, ressalta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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