Os advogados Adriano Bretas e Tracy Reinaldet, que negociam o acordo de delação do ex-ministro Antonio Palocci, emitiram uma nota nesse domingo, na qual dizem que a decisão de afastar José Roberto Batochio da defesa do caso partiu do próprio Palocci e não foi uma exigência da Operação Lava-Jato. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o petista começou a negociar o acordo na última sexta-feira e a troca de defensor teria sido uma exigência da força-tarefa.
“Tal escolha foi feita por livre e espontânea vontade do senhor Antonio Palocci Filho”, diz o comunicado, assinada por quatro advogados. Além de Bretas e Reinaldet, a informação é creditada a André Pontarolli e Matteus Macedo.
Batochio, de qualquer maneira, teria que se afastar da defesa por conflito de interesses. Ele atua na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ser um dos alvos da delação de Palocci. Com esse conflito, ele teria de escolher um dos clientes. Como Batochio é contrário a acordos de delação, não havia outra opção para ele a não ser deixar a defesa do ex-ministro.
A nota diz, ainda, que não há ainda uma decisão sobre desistir ou não do pedido de habeas corpus de Palocci que tramia no Supremo Tribunal Federal. Delatores, com raras exceções, desistem desse pedido para frisar que estão dispostos a colaborar com os procuradores – foi o que aconteceu, por exemplo, como o empreiteiro Marcelo Odebrecht.
“Desistir ou prosseguir no habeas corpus é uma escolha livre da defesa, sem qualquer interferência, muito menos ‘exigência’ do Ministério Público Federal, da Polícia Federal ou de quem quer que seja”, afirma a nota.
