A nova ministra do Trabalho, Cristiane Brasil, procurou o presidente Michel Temer nessa segunda-feira para saber se sua indicação estava mantida após as revelações de que ela foi condenada em um processo trabalhista e de que usou uma funcionária do gabinete para pagar sua dívida. Temer teria garantido a ela que a decisão da nomeação estava mantida.
Cristiane tentou, inclusive, antecipar sua posse para essa segunda-feira- mas Temer manteve para terça-feira. Na sexta-feira passada, o ministro Carlos Marun já havia dito que o governo não iria recuar da indicação. Mas, diante da notícia no final de semana publicada pelo jornal O Globo de que a nova ministra usou uma assessora para pagar sua dívida de R$ 60 mil, Cristiane quis ter certeza de que o governo não iria voltar atrás na decisão de sua nomeação.
O presidente garantiu à deputada do PTB que ela será a nova ministra do Trabalho.
Sem comprovantes
A futura ministra se negou a fornecer os comprovantes de reembolso à funcionária de seu gabinete que tem feito o pagamento de sua dívida trabalhista. A assessoria alegou que “as movimentações bancárias da ministra Cristiane Brasil são de cunho privado”.
Cristiane foi processada na Justiça trabalhista por dois ex-motoristas que alegaram não ter tido a carteira assinada enquanto eram empregados dela. Uma das ações foi movida por Leonardo Eugênio de Almeida Moreira e, nesse caso, a nova ministra fez um acordo para pagar a ele R$ 14 mil, divididos em dez parcelas que começaram a ser repassadas em maio do ano passado. Acontece que saem da conta bancária de Vera Lúcia Gorgulho Chaves de Azevedo – e não de Cristiane – os R$ 1,4 mil mensais.
A futura ministra alegara que Vera Lúcia é chefe de seu escritório político no Rio, a representou na audiência e que, por esse motivo, “entendeu que o dever de garantir o cumprimento do acordado em termos de pontualidade nos pagamentos cabia a ela”.
“Assim, por estar representando a deputada e por mera questão de praticidade, cadastrou a despesa na sua conta pessoal para transferência automática a fim de evitar quaisquer atrasos. Importante ressaltar que os valores pagos são reembolsados pela deputada, restando quitadas ambas as despesas judiciais e pessoais”.
“As movimentações bancárias da ministra Cristiane Brasil são de cunho privado. No referido caso, trata-se claramente de uma relação entre duas pessoas físicas, protegida por sigilo na forma da lei e em nada tendo relação com quaisquer das atividades exercidas por ela na esfera pública”, diz a nota.
