Em quarentena, a Nova Zelândia registrou nesta terça-feira (24) 41 novos casos de covid-19, seu maior número desde 5 de abril de 2020, quando o país contabilizou 89 novos casos diários.
O crescimento de infecções acontece enquanto as autoridades alertam que o surto atual da variante delta, mais contagiosa, é como lidar com um vírus que fosse totalmente novo. Com os novos contágios, o número de infecções ativas subiu para 148, disse o diretor geral de Saúde, Ashley Bloomfield, durante uma coletiva.
Dos novos casos, 38 são em Auckland e três são em Wellington. Até o momento, oito pessoas contaminadas no atual surto estão no hospital, disse o ministério.
“A delta é diferente da nossa experiência anterior. É, como sabemos, altamente infecciosa e transmissível e, como vimos, espalha-se rapidamente”, disse Bloomfield.
Apesar do tom de preocupação, ele afirmou que era reconfortante ver que os números não aumentavam exponencialmente e que a maioria dos casos continuava centrada em Auckland, sem se espalhar para outras regiões. Desde o começo da pandemia, a Nova Zelândia registrou 3.096 casos e 26 mortes.
As autoridades relataram também que um grupo de pelo menos 58 pessoas de etnia samoana, e ligadas à Igreja Samoana da Assembleia de Deus, foram encontradas aglomerando em Auckland. O Ministério da Saúde lamentou que havia comentários racistas sendo dirigidos à comunidade.
A primeira-ministra Jacinda Ardern recebeu elogios ao redor do mundo por sua luta contra a covid-19 no país. No entanto, sua confiança na estratégia da “covid zero”, com controles rígidos na fronteira e quarentenas rápidas que afetaram a economia, foi posta em dúvida em meio ao último surto, que acontece enquanto poucas pessoas foram vacinadas no país.
Ao todo, apenas 954 mil pessoas (ou 19,4% da população) completaram o ciclo vacinal no país.
Na vizinha Austrália, o primeiro-ministro Scott Morrison, que também está sob pressão devido ao aumento de casos no país, disse que a estratégia de eliminação do vírus não pode ser perseguida para sempre, apontando a Nova Zelândia como um exemplo.
“É simplesmente absurdo que qualquer Estado e território pense que, de alguma forma, pode se proteger da variante Delta para sempre”, disse ao programa de café da manhã do 9News Today. “Quero dizer, a Nova Zelândia não pode fazer isso. O caminho é chegar a marcas de 70% e 80% (vacinação) e abrir com segurança”, completou.
