O novo presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou as primeiras medidas para destravar o comércio exterior, removendo barreiras a importações e a exportações, e para normalizar a economia. Se avançar nessa direção, beneficiará a Argentina e o Mercosul contribuindo para revitalizar o bloco econômico depois de anos de estagnação.
A liberalização comercial será especialmente bem-vinda para exportadores brasileiros, prejudicados durante muitos anos pela política protecionista dos Kirchners. Essa política se intensificou a partir da crise global iniciada em 2008, mas a intervenção voluntarista no comércio exterior é parte das tradições da Casa Rosada. Foi cultivada pelos governos militares e, com poucas interrupções, pelos civis, sempre com más consequências para exportadores, importadores e, é claro, para os consumidores.
O ministro da Produção, Francisco Cabrera, deu a primeira boa notícia para o Brasil ao confirmar a extinção, a partir de janeiro, da Djai (Declaração Jurada Antecipada de Importação), uma das várias barreiras burocráticas implantadas pelo kirchnerismo. A Organização Mundial do Comércio já havia ordenado o fim dessa barreira na conclusão de um processo.
Mas ninguém poderia estar certo do cumprimento dessa determinação enquanto o governo mostrasse disposição de seguir a política dos Kirchners. Falta saber, naturalmente, se nenhum novo entrave será usado para substituir a Djai, mas, o presidente Macri parece empenhado em desamarrar a economia do país.
Alteração da política
A alteração da política será gradual. Algumas licenças de importação serão renovadas automaticamente, outras ficarão sujeitas a autorização, como forma de defesa de setores menos competitivos. Haverá, certamente, muita pressão para o governo manter parte das barreiras.
(AE)
