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Novo surto de coronavírus é concentrado em Estados do Sul dos Estados Unidos

No país, serão abertos novos centros de imunização. (Foto: Michael Appleton/Mayoral Photography Office)

Cinturão da ferrugem, do algodão, do milho, da Bíblia. Agora, os Estados Unidos veem o surgimento de uma região que se destaca não pela decadência da indústria, pela agricultura ou pela forte influência do conservadorismo cristão, mas pelo solo fértil para a covid-19. Se a variante delta causa um novo surto em todo o país, seu epicentro incontestável está no Sul americano.

A região, na última segunda (23), registrava 73 novos casos de infecção pelo novo coronavírus por 100 mil habitantes — quase o dobro do Oeste americano, vice-líder no novo surto, onde há 37 diagnósticos por 100 mil pessoas. Não é à toa que a área engloba alguns dos estados com as menores taxas de vacinação do país e vê falta de leitos para atender aos doentes.

Nos EUA como um todo, 52% dos americanos completaram seu ciclo vacinal. As unidades federativas lanterninhas são as sulistas Mississippi e Alabama, onde apenas 37% da população tomaram as duas doses ou a injeção única da Janssen. Ambos estão também entre os cinco Estados com mais novos casos, internações e mortes por 100 mil habitantes na última semana.

Enquanto um número crescente de governadores e autoridades locais democratas anuncia a obrigatoriedade de máscaras em espaços fechados e das vacinas, os republicanos sulistas continuam a resistir. Ao menos cinco estados, entre eles três no Sul, proibiram que repartições públicas obriguem seus funcionários a se vacinarem, por exemplo.

Na Flórida, Estado onde há mais internações por 100 mil pessoas, o governador Ron DeSantis emitiu até mesmo uma ordem proibindo empresas privadas de exigirem a imunização de seus funcionários ou clientes. Ele também vetou que escolas obriguem seus alunos a usarem máscaras, algo desafiado por alguns distritos escolares.

Regra similar foi imposta pelo governador do Texas, Greg Abbott, que contraiu covid-19 na semana passada, apresentando sintomas um dia após participar de um evento de campanha sem qualquer respeito às diretrizes sanitárias. O veto foi questionado na Justiça pelos distritos escolares de cidades como Houston, Dallas e Austin, que viram a Suprema Corte estadual emitir uma decisão a seu favor.

Golfo da covid

A situação é particularmente crítica na orla do Golfo do México, popular destino turístico regional nos meses de verão. As praias estão lotadas e, em vários cassinos, a falta de restrições sanitárias faz com que seja quase possível esquecer que há uma pandemia.

Os baixos índices de inoculação e uso de máscaras, como era de se esperar, são inversamente proporcionais à taxa de ocupação hospitalar. Flórida, Alabama e Mississippi já estão entre os cinco estados com mais internações por 100 mil habitantes, mas suas cidades costeiras de Panama City Beach, Mobile e Gulfport têm taxas ainda maiores que as médias estaduais. Até o momento, nenhum de seus condados vacinou mais de 40% da população local.

Se a discrepância na taxa de vacinação entre os estados é grande, a situação interna de muitas das unidades federativas é similar: enquanto alguns condados têm altas taxas de vacinação, seus vizinhos ficam para trás. Logo, o vírus continua a circular livremente.

Na semana passada, os Estados Unidos voltaram a registrar uma média de mil mortes por dia pela primeira vez desde março. Há também cerca de 150 mil novas infecções diárias, patamar similar ao do fim de janeiro. A nova onda, repete o presidente Joe Biden em vários de seus discursos, é uma “pandemia dos não vacinados”.

As vacinas cumprem com grande eficácia seu papel de evitar casos graves e internações e, diante das evidências de que a proteção perde força com a passagem do tempo, os EUA já anunciaram que aplicarão doses de reforço a partir de setembro. A contenção do contágio, contudo, só ocorrerá quando cerca de 75% da população já estiver inoculada, algo ainda distante no cenário americano.

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