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Número de mortos por terremotos na Venezuela chega a 3.889; país pede ouro a Rei Charles III

Os fortes terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em 24 de junho, deixaram ainda 17.907 pessoas desabrigadas. (Foto: Ocha/Veronique Durroux)

O número de mortos em decorrência do duplo terremoto que atingiu a Venezuela há duas semanas subiu para pelo menos 3.889, enquanto o número de feridos permaneceu em quase 17 mil, segundo um boletim oficial do governo divulgado nessa quinta-feira (9).

Os fortes terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em 24 de junho, deixaram ainda 17.907 pessoas desabrigadas, de acordo com o relatório divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, na plataforma Telegram.

O desastre atingiu especialmente o estado costeiro de La Guaira, onde mais de 800 edifícios foram afetados, dos quais 190 desabaram.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu na quarta-feira a liberação de recursos venezuelanos bloqueados no exterior, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) tenta arrecadar quase 300 milhões de dólares (R$ 1,54 bilhão) para ajudar na recuperação do país.

A Venezuela e o Fundo Monetário Internacional (FMI) negociam como desbloquear, o mais rapidamente possível, os ativos financeiros do país para enfrentar as consequências dos terremotos, segundo a porta-voz do organismo, Julie Kozack.

Ouro

Delcy Rodríguez pediu ao rei Charles III do Reino Unido que seja “liberado” o ouro das reservas internacionais do país, que se encontra “retido” no Banco da Inglaterra, a fim de ajudar as vítimas do duplo terremoto ocorrido há duas semanas. Estão depositados lingotes de ouro da Venezuela avaliados em 1,9 bilhão de dólares (cerca de R$ 9,78 bilhões), cujo controle a Justiça britânica se recusou a ceder ao então governo de Nicolás Maduro.

“Decidi enviar uma carta ao rei da Inglaterra para que liberem o ouro que está retido no Banco da Inglaterra. Esse ouro é do nosso povo. É para lidar com as consequências do sismo” de 24 de junho, declarou Rodríguez na quarta-feira.

Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela depois que Maduro foi capturado em 3 de janeiro, em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, e levado para os EUA, acusado de narcotráfico.

O chanceler Yván Gil havia pedido mais cedo que fossem liberados os recursos da Venezuela “bloqueados” no exterior. Delcy mencionou também que conversou com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, para insistir na obtenção de recursos desse organismo. “Agradeço pela atenção, pela compreensão”, disse.

A Venezuela possui no FMI 3,57 bilhões em direitos especiais de saque (DES), que equivalem a aproximadamente 5,1 bilhões de dólares (cerca de R$ 26,24 bilhões), valor que foi bloqueado devido ao não reconhecimento de Maduro como presidente. Delcy Rodríguez, que governa sob pressão dos Estados Unidos, era a vice-presidente de Maduro. As informações são da agência de notícias AFP.

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