O afastamento temporário da presidenta Dilma Rousseff por 180 dias representa um ponto crucial no panorama político da América Latina, encerrando um ciclo de poder dominado por movimentos de esquerda. A opinião é de especialistas em política internacional.
A avaliação é de que governos de tendência mais liberal terão que retomar gradativamente o espaço antes conquistado no continente.
“O Brasil é um ponto de inflexão”, definiu o professor de Relações Internacionais da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Paulo Velasco, em referência ao impacto da saída de Dilma sobre o panorama latino-americano.
“Depois de quase duas décadas de governos progressistas, a tendência é de que o comando dos países da região retorne à direita e centro-direita, mais liberais. Mas ainda precisamos ver como esse cenário vai funcionar na prática.”
Tendências
De acordo com a mesma análise, três grandes processos acabaram dando forma e impulso a essa virada política no âmbito da América Latina, classificada de “pós-neoliberalismo” muitos dos estudiosos desse fenômeno.
Trata-se de uma sequência de projetos de enfoque regional: o chavismo na Venezuela, o kirchnerismo na Argentina e, é claro, o petismo no Brasil. (AG)
