Em depoimento à Polícia Militar de Minas Gerais, Adélio Bispo de Oliveira, responsável pelo ataque ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) com uma faca durante evento de campanha em Juiz de Fora, disse que os agentes “não entenderiam” o que motivou o crime. A declaração foi obtida a partir do boletim de ocorrência ao qual o jornal O Globo teve acesso com exclusividade.
Aos oficiais, Oliveira disse que “saiu de casa com uma faca de uso pessoal a fim de acompanhar a comitiva e, no melhor momento que encontrasse, atentar contra a vida do candidato”. Sobre a motivação do crime, o agressor disse que os policiais “não iriam entender”, dizendo também em certos momentos que “foi a mando de Deus”.
O registro foi feito pela 7ª Delegacia de Polícia de Juiz de Fora e pela 30ª Companhia da Polícia Militar, e o caso foi classificado como tentativa de homicídio.
Oliveira foi indiciado com base na Lei de Segurança Nacional, de acordo com o deputado Fernando Francischini, que também é delegado da Polícia Federal. Além disso, o deputado também disse que dois celulares e um laptop do agressor de Bolsonaro foram apreendidos na pensão onde ele estava hospedado.
No boletim de ocorrência, a polícia informa que a faca usada para ferir Bolsonaro possui lâmina de 25 cm. Segundo uma testemunha ouvida pelos policiais, Oliveira levava a arma branca enrolada em uma camisa de cor clara. Ao todo, cinco pessoas foram registradas como testemunhas do crime.
O documento também informa que a Polícia Militar apenas acompanhava a visita do candidato nas imediações para dar fluxo ao trânsito da cidade e reitera que a segurança de Bolsonaro estava exclusivamente a cargo da Polícia Federal.
Discurso de ódio de Bolsonaro
Os advogados que representam o agressor Adélio Bispo de Oliveira informaram hoje que vão solicitar exames de sanidade mental de seu cliente. Quatro advogados acompanharam Adélio a uma audiência de instrução com a juíza Patrícia Alencar, na Justiça Federal, na tarde desta sexta-feira (7), que determinou a transferência do criminoso para um presídio federal.
A defesa sustentou ainda que a agressão de seu cliente ao candidato Jair Bolsonaro foi um ato solitário, movido pelo que classificaram de “discurso de ódio” do próprio candidato.
“Esse discurso de ódio do candidato é que desencadeou essa atitude extremada do nosso cliente”, disse o advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior. Um dos motivos, segundo a defesa, foi a referência pejorativa aos negros quilombolas, já que seu cliente se identifica como negro.
O advogado informou que a defesa concordou com a transferência de Adélio para um presídio federal, para garantir sua integridade. O advogado também disse concordar com o indiciamento de seu cliente pelo Artigo 20 da Lei de Segurança Nacional, que fala em “praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político”.
