Ao longo de 2019, 15 desastres naturais relacionados à mudança climática causaram, cada um, perdas financeiras de pelo menos 1 bilhão de dólares. Conforme um relatório da ONG filantrópica britânica Christian Aid, sete desses incidentes custaram cerca de 10 bilhões de dólares, sendo que um outro levou a prejuízos de 25 bilhões de dólares.
O ano pode ser o segundo ano mais quente da história, e cada um dos desastres no relatório tem uma ligação com as mudanças climáticas, afirmou a instituiçao. “O clima extremo, alimentado pelas mudanças climáticas, atingiu todos os cantos do globo em 2019. Do Sul da África à América do Norte, da Austrália e Ásia à Europa, inundações, tempestades e incêndios trouxeram caos e destruição”, diz o documento.
Montando seu relatório a partir de dados oficiais, estimativas de ONGs, informações órgãos de socorro, estudos científicos e notícias na imprensa, a instituição de caridade britânica disse que os desastres deixaram milhões desabrigados e espalharam a morte.
Dentre os desastres mais graves estão inundações que devastaram o norte da Índia, o tufão Lekima na China, o furacão Dorian nos Estados Unidos, inundações na China, enchentes no Meio-Oeste e no Sul dos Estados Unidos, o tufão Hagibis no Japão. A tragédia com maior dano patrimonial foram os incêndios no Estado norte-americano da Califórnia, com perdas de 25 bilhões de dólares.
“É provável que esses números sejam subestimados, pois geralmente mostram apenas perdas cobertas por seguro e nem sempre levam em conta outros custos financeiros, como perda de produtividade e perdas não seguradas”, prossegue o relatório.
A Christian Aid disse que a vasta maioria das mortes foi causada por apenas dois eventos, na Índia e no Sul da África, um reflexo de como as pessoas mais pobres do mundo pagam o preço mais alto pelas consequências das mudanças climáticas: “Por outro lado, o custo financeiro foi maior nos países mais ricos: o Japão e os Estados Unidos sofreram três dos quatro eventos mais caros”.
Efeito-estufa
As emissões de gases de efeito-estufa continuam subindo em 2019, depois de atingirem um recorde em 2018. A probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos, registrados mundo afora em 2019, aumenta à medida que o planeta se aquece. Outros eventos citados no relatório foram o ciclone Idai em Moçambique, uma onda de calor recorde em grande parte da Europa, incêndios florestais na Austrália e inundações em Veneza (Itália).
A ameaça representada pela mudança climática tornou-se tão acentuada em 2019 que a Indonésia, uma das economias que mais crescem no mundo, decidiu mudar sua capital para um lugar que não estava afundando. “A menos que sejam tomadas medidas urgentes para reduzir as emissões, as temperaturas globais subirão pelo menos mais 0,5°C nos próximos 20 anos e outras 2°C e 3°C até o final do século”, alerta a ONG.
“O clima do mundo continuará se tornando cada vez mais extremo, e as pessoas em todo o mundo continuarão pagando o preço. O desafio a seguir é minimizar os impactos por meio de cortes profundos e rápidos nas emissões”.
