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O aumento de casos de coronavírus no exterior é alerta para o Brasil

Desrespeito às normas de flexibilização pode levar a uma volta da quarentena. (Foto: Reprodução)

Diante das cenas de horror impostas pela pandemia do novo coronavírus, brasileiros estão ávidos por qualquer boa notícia que surja nesse horizonte carregado. E, embora o país tenha ultrapassado a marca de um milhão de infectados e se aproxime dos 50 mil mortos, sem ter atingido o pico da Covid-19, começam a aparecer sinais positivos, ainda que tênues.

Em Manaus (AM), um dos municípios mais duramente atingidos pela doença, a prefeitura anunciou que começará a desativar seu único hospital de campanha, após queda no número de casos e de mortes. Nas cidades de São Paulo e Rio, que concentram o maior número de óbitos no Brasil, a epidemia já começa a perder fôlego.

Os próprios números do país sugerem estabilização, ainda em patamar altíssimo, com mais de mil mortes a cada 24 horas. Mas que ninguém se iluda. As certezas sobre a pandemia de Covid-19 costumam desaparecer com a mesma rapidez com que o Sars-CoV-2 se dissemina pelo mundo. A curva que aponta para baixo em algumas capitais do país pode retomar sua escalada em questão de dias. Exemplos não faltam.

Nos Estados Unidos, país que registra o maior número de casos e de mortes em todo o mundo, e onde a doença estava em franca desaceleração, o surgimento de novos surtos preocupa. Após a flexibilização das regras de isolamento e a sucessão de manifestações contra o racismo e a violência policial, quase metade dos estados apresentou aumento no número de casos.

Na China, um dos países que conseguiram controlar a epidemia, a descoberta de novos infectados em Pequim, nos últimos dias, fez soar todos os alarmes, levando o governo a fechar bairros e a retomar medidas de isolamento nas regiões afetadas. Mesmo na Nova Zelândia, que chegou a ser considerada livre do novo coronavírus, casos reapareceram após 25 dias de trégua.

Tudo isso deve servir de alerta para o Brasil, onde, desde 1º de junho, cidades e estados, pressionados pelos efeitos danosos do vírus na economia, começaram a flexibilizar normas de isolamento, antes mesmo de os números começarem a cair. É preciso cautela, para que avanços — como um certo respiro nas redes de saúde — não se percam.

Em plena pandemia, a impressão que se tem em muitos lugares é que voltou tudo ao normal. Estamos longe disso. Governos e sociedade precisam ter consciência da gravidade da situação. Flexibilização também tem regras, e elas devem ser cumpridas. Respeitar as fases de abertura, evitar aglomerações, manter afastamento entre as pessoas, usar máscaras para se proteger e proteger os outros, higienizar as mãos etc. Ou corremos o risco de viver um eterno abre e fecha, numa perenização da tragédia que não interessa a ninguém. A opinião é do jornal O Globo.

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