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O Brasil enviou aviões da Força Aérea Brasileira para trazer de volta os brasileiros que estão retidos no Peru

Maduro teria proibido o pouso de um avião da Força Aérea Brasileira em Caracas. (Foto: TV Brasil)

O governo brasileiro enviou dois aviões Hércules C-130 a Cusco, no Peru, para trazer de volta ao Brasil um grupo de brasileiros que ficou preso no país depois que o presidente Martín Vizcarra decretou o fechamento das fronteiras para tentar controlar a epidemia do novo coronavírus.

De acordo com o Itamaraty, 1,3 mil brasileiros aguardavam para retornar ao Brasil, mas 639 já foram repatriados. Em nota, os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores informaram que os dois aviões devem pousar em Cusco nesta quarta-feira (25) e a previsão de chegada de volta ao Brasil é na noite de quinta (26).

Em entrevista à CNN no último domingo (22), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que no início da crise, havia quase 10 mil brasileiros no exterior, retidos pelo cancelamento de voos e fechamento de fronteiras.

“Já viabilizamos o retorno de cerca de 3 mil pessoas, em sua maioria de Portugal, Marrocos e Peru. Ainda há cerca de 6 mil para trazermos de volta ao Brasil”, disse.

O Itamaraty montou um grupo de atendimento aos brasileiros no exterior e divulgou números específicos de telefone para atendimento.

Relato

O que era para ter sido uma viagem dos sonhos, se tornou um pesadelo para três amigos brasileiros de Bonito (MS), a 296 quilômetros de Campo Grande. Os sul-mato-grossenses Diego, Gilberto e Leandro saíram para um “mochilão” pela Bolívia e Peru no dia 4 de março e planejavam voltar até o dia 16. Porém, devido a pandemia do novo coronavírus, estão presos no país vizinho e, com o dinheiro acabando, se dizem assustados com o que está por vir.

O funcionário público Leandro Perandre Macedo, de 31 anos, conta que os amigos deram entrada no Peru no dia 7 de março, passando pelas cidades de Puno, Cusco, Lima e depois Huaraz. Nesta última, eles fariam o passeio final da viagem e voltariam ao Brasil. Porém, foram informados na noite do dia 15 de março, do fechamento das fronteiras do país. Por estarem longe da fronteira, os amigos decidiram que não teriam tempo hábil de voltar e resolveram ficar para aguardar o que aconteceria.

Mas os dias foram passando e a situação dos brasileiros piorou. Com a programação de ficarem até, no máximo, no dia 17 de março, os amigos estão ficando sem recursos financeiros. A polícia peruana também proibiu a saída de estrangeiros nas ruas e Leandro conta que estão dependendo dos donos do hostel para buscar comida e mantimentos. A situação no Peru também é considerada crítica, com mais de 350 casos confirmados e cinco mortes, de acordo com o jornal AS Peru.

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