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O Brasil já teve 37 homens e uma mulher na cadeira presidencial

Jânio Quadros considerava o rock um estilo nocivo às famílias brasileiras. (Foto: Reprodução)

O Brasil já teve 37 homens e uma mulher na cadeira presidencial, cada um com um jeitinho próprio de ser. Houve quem proibisse rock e biquíni, quem se alimentasse de pão com leite condensado (encararia?) e quem declarasse preferir o cheiro de cavalos ao de pessoas. Acompanhe a sequência das curiosidades mapeadas que marcam a trajetória presidencial brasileira.

Chega de rock

Jânio Quadros (1917-1992) ficou pouco tempo no cargo, sete meses, mas o bastante para implantar medidas de forte apelo conservador. Proibiu brigas de galo, que era o duelo forçado entre dois galos para uma plateia de humanos, o uso de biquínis nos populares concursos de miss e até corrida de cavalo de segunda a sexta (fim de semana podia). Antes, quando era governador de São Paulo, vetou o rock nos bailinhos locais, por considerar o ritmo nocivo às famílias brasileiras.

As excentricidades pipocaram já na campanha eleitoral, aponta Rodrigo Vizeu. “Ele fingia desmaiar de cansaço nos discursos e buscava parecer mais do povo do que era jogando talco para simular caspas no paletó ou sentando na calçada para comer sanduíche de mortadela.”

Pão doce

De Jair Bolsonaro você deve lembrar, porque ele deixou a presidência há menos de quatro anos, agora que está preso, por tentar dar um golpe de Estado, é seu filho Flávio quem disputará o cargo contra o atual presidente, Lula. Enquanto estava no poder, Jair protagonizou cenas insólitas, como oferecer uma caixa de cloroquina, remédio que dizia falsamente curar a Covid-19, para emas que moram no palácio presidencial. Também se deixou filmar comendo pão francês com leite condensado, motivo de “eca!” para alguns e água na boca para outros.

Não quero mais brincar

Após perder a eleição de 2022 para Lula, Bolsonaro se recusou a passar a faixa presidencial para ele, como é praxe na transição entre um governante e outro. Não foi o primeiro mau perdedor. “A coisa de fazer desfeita ao passar o poder ao sucessor vem do comecinho da República”, diz o jornalista Rodrigo Vizeu.

O marechal Floriano Peixoto (1839-1895), segundo presidente do Brasil, “era um destemperado” que se negou a receber Prudente de Morais (1841-1902), que foi o primeiro presidente não militar e também o primeiro eleito por voto —se bem que, no finzinho do século 19, muito pouca gente podia de fato votar. Todas as mulheres e os homens que não sabiam ler e escrever (a maioria do país) ficavam de fora, por exemplo.

Tiro no coco

João Batista Figueiredo (1918-1999), o último presidente da ditadura, coleciona frases um tanto grosseiras. Certa vez, um estudante de dez anos lhe perguntou o que faria se fosse criança e o pai recebesse salário mínimo. Respondeu: “Eu dava um tiro no coco”. Depois sugeriu que a criança trabalhasse para ajudar o pai. Em outra ocasião, declarou preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo. Quando deixou o cargo, pediu que os brasileiros o esquecessem.

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