O balanço diário divulgado pelo Ministério da Saúde trouxe, nesta quarta-feira (10), mais 32.913 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, totalizando 772.416. O resultado marcou um acréscimo de 4,2% em relação a terça-feira (9), quando o número de pessoas infectadas estava em 739.503.
A atualização da pasta registrou 1.274 novas mortes, chegando a 39.680. O resultado representou um aumento de 3,2% em relação a terça (9), quando foram contabilizados 38.406 falecimentos por Covid-19.
Do total de casos confirmados, 407.341 estão em acompanhamento e 325.395 foram recuperados. Há ainda 3.608 investigação de óbitos para identificar se a causa foi Covid-19.
São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no País, concentrando o maior número de mortes (9.862). O Estado é seguido pelo Rio de Janeiro (7.138), Ceará (4.480), Pará (3.027) e Pernambuco (3.531).
Já em número de casos confirmados, o ranking tem São Paulo (156.316), Rio de Janeiro (74.373), Ceará (71.402), Pará (62.095) e Maranhão (53.508). Entre as unidades da federação com mais pessoas infectadas estão ainda Amazonas (52.849), Pernambuco (41.935), Bahia (32.685), Paraíba (24.032) e Espírito Santo (23.344).
Pico
Mais de três meses após o primeiro caso, não há indícios de que “o pior já passou”; saiba quais são os índices-chave que cientistas acompanham para saber quando isso vai acontecer.
O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi confirmado em 26 de fevereiro, e as medidas de isolamento social começaram ser adotadas em meados de março.
Passados quase três meses, nada indica que já passamos do pico da pandemia. Na verdade, recordes de casos e mortes em um único dia foram registrados na última semana.
Como vamos saber quando a pandemia chegou ao seu auge por aqui? Ou melhor ainda: que o pior finalmente já passou?
Antes, é importante entender que falar em um único pico no Brasil, um país de tamanho continental, é como falar em um único pico para toda a Europa.
“Não existe uma epidemia única no Brasil. Temos uma pandemia composta por diversas epidemias locais, com padrões diferentes”, diz Márcio Sommer Bittencourt, médico do centro de pesquisa clínica e epidemiológica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP).
Isso significa que devemos olhar a evolução do coronavírus em cada Estado — ou mesmo em diferentes regiões dentro de um mesmo Estado.
Os cientistas também ressaltam que é mais fácil identificar o auge de uma pandemia quando já passamos dela e vemos que houve uma redução consistente de alguns índices-chave, como os três listados abaixo.
Novos casos e mortes
O primeiro deles são as estatísticas oficiais de novos casos e mortes registrados por dia. Enquanto esses números estiverem crescendo, não dá para dizer que passamos do pico.
E a queda não pode ser pontual. Deve se manter por pelo menos duas semanas, período de incubação do novo coronavírus e tempo que os epidemiologistas consideram suficiente para saber que não foi só uma oscilação.
Isso ainda não aconteceu no Brasil, diz Domingos Alves, professor da Faculdade Medicina da USP em Ribeirão Preto e colaborador do portal Covid-19, que monitora a pandemia no País.
Taxa de reprodução do vírus
Um segundo índice usado por epidemiologistas para saber o rumo de uma pandemia é a taxa de reprodução de um vírus, também conhecida como Rt.
O nome parece complicado, mas o conceito é simples: ela indica quantas pessoas em média são infectadas por alguém que já está contaminado pelo novo coronavírus, o Sars-CoV-2.
Quando este índice estiver caindo e se aproximando de 1, mais próximo estamos do pico da epidemia. E só podemos dizer que passamos dele quando o índice fica abaixo de 1 por um período consistente.
O monitoramento feito por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) indica que a taxa está em queda desde o final de abril. Mas os dados mais atuais apontam que ela ainda fica acima de 1 em quase todos os Estados, com exceção do Amazonas (0,96), Pernambuco (0,95) e Rio Grande do Norte (0,93).
Casos de SRAG
No Brasil, onde são feitos poucos testes de Covid-19 em comparação com outros países, outro índice ganhou importância no acompanhamento da evolução da pandemia.
Os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) são notificados oficialmente pelos hospitais no Brasil desde a pandemia de H1N1 em 2009.
Até agora, em 2020, foram notificados 159 mil casos de SRAG, quatro vezes mais do que em 2019. Desse total, 63 mil testaram positivo para algum vírus, e, em 98% deles, o resultado foi o novo coronavírus.
O Infogripe aponta ainda que as epidemias em diferentes partes do País também estão em momentos diferentes.
Os sinais são de estabilização no Sudeste e de queda no Norte e Nordeste. Mas a epidemia está crescendo no Sul e no Centro-Oeste.
