Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, o Brasil ultrapassou a Itália, um dos países mais atingidos do mundo, em número absoluto de casos “em acompanhamento”.
Esse dado reúne as pessoas que já tiveram a infecção pelo Sars-CoV-2 confirmada, mas que não morreram nem se curaram, ou seja, continuam contaminadas. De acordo com o balanço do Ministério da Saúde divulgado nessa segunda-feira (11), o Brasil soma 89.429 casos do novo coronavírus em acompanhamento.
Já a Itália, segundo os dados dessa segunda (11), tem 82.488 contágios ainda ativos. Em 27 de abril, quando esse número começou a cair de forma ininterrupta, o país europeu somava 105.813 casos em acompanhamento, enquanto o Brasil tinha 30.816.
Esse dado mostra os momentos opostos vividos pelas duas nações no combate à pandemia. A Itália vem registrando uma tendência de queda no número diário de mortes e, mesmo assim, tem cada vez menos casos ativos.
Já o Brasil vê o número de casos em acompanhamento crescer na casa dos milhares diariamente, mesmo com uma média de 554 mortes confirmadas a cada 24 horas na última semana – a Itália teve média de 241 óbitos por dia no mesmo período.
Números relativos
Por outro lado, quando se analisa os números frente ao tamanho da população, os dados do Brasil ainda estão longe dos da Itália.
O país europeu somava, nessa segunda, 219.814 casos do novo coronavírus, o que representava 3.636 para cada 1 milhão de habitantes, segundo os dados populacionais do Instituto Nacional de Estatística (Istat). O Brasil, por sua vez, tinha, no mesmo dia, 168.331, sendo 796/1 milhão de habitantes, de acordo com a projeção atualizada da população feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Coronavírus no Brasil
O novo coronavírus já estava circulando havia pelo menos 20 dias no Brasil quando multidões tomaram as ruas de grandes cidades para celebrar o carnaval, revela um estudo divulgado nessa segunda pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
O trabalho mostra que o Sars-CoV-2 começou a se espalhar no País ainda na primeira semana de fevereiro, ou seja, mais de 20 dias antes de o primeiro caso ser diagnosticado oficialmente em um viajante que retornou da Itália para São Paulo. O caso foi detectado em 26 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas, quase 40 dias antes das primeiras confirmações oficiais de transmissão comunitária, em 13 de março.
O trabalho mostra que, quando os primeiros blocos foram para as ruas, já havia transmissão comunitária da doença, que, provavelmente, foi muito acelerada pelas aglomerações. Os primeiros casos seriam do fim de janeiro.
O estudo foi feito com uma metodologia estatística de inferência, a partir dos registros de óbitos, e publicado na revista “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz” de forma prévia, ainda sem revisão de pares. O trabalho também revelou que o vírus começou a circular muito antes do registrado oficialmente na Europa e nos Estados Unidos.
Os autores destacam que, em todos os países analisados, a circulação da Covid-19 começou muito antes que fossem implementadas medidas de controle, como restrição de viagens aéreas e distanciamento social.
“Esse período bastante longo de transmissão comunitária oculta chama a atenção para o grande desafio de rastrear a disseminação do novo coronavírus e indica que as medidas de controle devem ser adotadas, pelo menos, assim que os primeiros casos importados forem detectados em uma nova região geográfica”, afirma Gonzalo Bello, pesquisador do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz, coordenador da pesquisa.
