O Canadá vai suspender o uso da vacina da AstraZeneca para pessoas com até 55 anos e quer nova análise
Fabricia Albuquerque
O Canadá já aplicou 307 mil doses da AstraZeneca. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Autoridades sanitárias do Canadá anunciaram nesta segunda-feira (29) que irão parar de aplicar a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 para pessoas com menos 55 anos, e que irão requisitar uma nova análise sobre os benefícios e riscos do imunizante de acordo com idade e gênero.
A medida ocorre após relatos da Europa sobre a ocorrência de raros, porém graves, coágulos sanguíneos, hemorragias, e, em alguns casos, morte após a vacinação, principalmente em jovens mulheres.
Nenhum caso foi reportado no Canadá, que já aplicou 307 mil doses da AstraZeneca.
“Vamos pausar o uso da vacina da AstraZeneca para os adultos com menos 55 anos de idade e esperar uma análise mais ampla de riscos e benefícios”, afirmou o vice-diretor-executivo de Saúde Pública Howard Njoo em um pronunciamento à imprensa.
Njoo depois apontou que o Canadá está tomando essa abordagem “prudente” pois outras vacinas estão disponíveis. A maior parte do fornecimento de imunizantes no Canadá vem da Pfizer e da Moderna.
O Conselho Nacional de Aconselhamento para Imunização (NACI, na sigla em inglês), um painel independente de especialistas, afirmou que a taxa na qual a complicação de coagulação aparece ainda não está clara.
Até agora, 40% das pessoas que a desenvolveram, morreram, mas essa porcentagem pode cair assim que mais casos forem identificados e tratados antecipadamente, disse a entidade.
“O que sabemos neste momento é que há incerteza substancial sobre o benefício de providenciar vacinas da AstraZeneca contra a covid-19 para adultos com menos de 55 anos de idade”, afirmou o conselho em uma recomendação por escrito. Pessoas mais velhas têm um risco maior de hospitalização e morte pela covid-19, e a complicação parece ser mais rara nessa faixa etária, acrescentou o NACI, dizendo que esse grupo pode receber a vacina com “consentimento informado”.
Pfizer e Moderna
As vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna se mostraram “altamente eficazes” no controle da covid-19 logo após a aplicação da primeira dose, segundo um estudo publicado nesta segunda pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.
Os pesquisadores do principal órgão de saúde norte-americano analisaram os números da vacinação dos profissionais da linha de frente e concluíram que, em “condições de vida real”, o risco de infecção caiu 80% após a primeira dose.
A análise preliminar do centro norte-americano aponta também que a efetividade da vacina na proteção contra a infecção pelo coronavírus chegou a 90% quando as duas doses foram aplicadas corretamente.
Os dados reforçam os resultados apresentados durante os ensaios clínicos. As duas vacinas são seguras e eficazes no combate à pandemia da covid-19. Além delas, os EUA começaram também a aplicação da vacina da Janssen, de dose única – que não entrou nesta análise.
“Este estudo mostra que nossos esforços para uma vacinação nacional estão funcionando”, disse em nota a diretora do CDC, Rochelle Walensky.
A equipe do CDC avaliou também os dados dos pacientes não vacinados e encontrou uma taxa diária de 1,38 infecções a cada mil pessoas por dia.
Entre os vacinados, depois de 15 dias da primeira dose, houve uma taxa de 0,04 infecções por dia a cada mil, e o número despencou ainda mais 15 dias depois da segunda dose, e foi para 0,19 infecções por dia a cada mil pessoas.