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O câncer de Ana Maria Braga atinge mais de 30 mil pessoas a cada ano no Brasil

A apresentadora revelou que está com câncer no pulmão. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Em 2018 e 2019, o Brasil registrou, a cada ano, 31.270 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões, segundo estimativa feita pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Na segunda-feira (27), a apresentadora Ana Maria Braga revelou que está tratando um desses tipos da doença, mais especificamente um adenocarcinoma pulmonar. As informações são da revista Época.

Como o registro de novos casos de câncer não é obrigatório no Brasil, há apenas dados estimados. Do total estimado, 18.740 casos ocorreram entre homens e 12.530 entre as mulheres em 2018 e 2019. Os números correspondem a 18,16 casos novos a cada 100 mil homens. Trata-se do segundo tipo de câncer mais frequente, recorrente em 8,7% do total estimado. O primeiro é o câncer de próstata, responsável por 31,7% dos casos estimados.

No caso das mulheres, o valor estimado é de 11,81 para cada 100 mil mulheres, o equivalente a 6,2%% do total, ocupando a quarta posição. Em ambos os casos, o levantamento é feito excluindo-se o câncer de pele.

No biênio anterior (2016-17) foram estimados 17.330 de casos novos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões entre homens e 10.890 entre mulheres. Um total de 28.220 casos. Os números correspondem a uma taxa estimada de 17,49 casos novos a cada 100 mil homens e 10,54 para cada 100 mil mulheres. O câncer de pulmão foi o segundo mais recorrente em homens — 8,1% — e o quarto em mulheres — 5,3%.

“Certamente esse número é subestimado. Infelizmente, no Brasil, a despeito do sucesso das campanhas antitabagismo, a gente ainda tem uma incidência muito alta de câncer de pulmão”, afirmou Gilberto de Castro Júnior, médico do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês e presidente do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica.

De acordo com o médico, o principal fator é o tabagismo.”É muito importante a interrupção do tabagismo em qualquer momento. Quanto mais cedo, menor será o risco de câncer do pulmão.” Deixar de fumar, no entanto, não exclui a possibilidade de um câncer futuro. “Acredita-se que, quando você interrompe o tabagismo, seu risco de câncer de pulmão vai diminuindo com o passar dos anos e se aproxima do risco da população em geral depois de 20 anos.”

Outro fator, além da poluição das grandes cidades, cujo impacto ainda precisa ser mais bem medido, são as novas modalidades de cigarro — os eletrônicos, conhecidos como vapes. “Estamos arriscando os ganhos que a gente teve até hoje. A combustão gera alguns produtos químicos que causam câncer de pulmão. Além de essa fumaça ser uma fumaça quente.”

Mortes

Segundo a OMS, além de ser o tipo mais comum, responsável por 2,09 milhões dos novos casos em 2018, o câncer no pulmão foi o responsável pelo maior número de mortes no mundo em 2018: 1,76 milhão. No Brasil, em 2017, o câncer de pulmão, traqueia e brônquios foi o que mais matou homens (16.137) e o segundo que mais matou mulheres (11.792). Foram 27.931 casos ao todo. Segundo dados publicados no Journal of Thoracic Oncology, 70% dos diagnósticos são feitos já em estado avançado e apenas 8% no estágio 1 da doença.

Entre 1989 e 2013, o número de homens fumantes caiu 56% para 19%. Entre as mulheres, o número caiu de 59% para 11%. Ainda assim, o número de óbitos tem aumentado desde 2013, segundo o Inca. Naquele ano, 24.490 pessoas morreram em decorrência desse tipo de câncer. A maior parte das vítimas era do sexo masculino (14.811). Em 2014, houve 25.427 mortes, sendo 15.127 homens. No ano seguinte, foram 26.498 mortes e 15.514 homens. Em 2016, os homens corresponderam a 15.968 do total de 27.720 óbitos.

“A queda no número de fumantes não se reflete imediatamente em diminuição no número de casos novos ou na diminuição na mortalidade por câncer de pulmão. Isso demora muitos anos. Acredita-se que a gente vá ver isso nos próximos anos. Além disso, temos fatores ambientais presentes”, afirmou Castro Júnior.

 

 

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