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O caso das Lojas Americanas: seus controladores, Lemann, Telles e Sicupira se dizem surpresos com ação da Polícia Federal

A Operação Disclosure da PF investiga a fraude bilionária na Americanas, que veio a público em 2023 e provocou um rombo de R$ 25,3 bilhões na companhia. (Foto: Reprodução)

Os principais acionistas da Americanas afirmaram, em nota, que foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã de quinta-feira (25) e que as investigações têm apontado que tanto eles quanto o conselho de administração “foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”.

Por meio da LTS, empresa que cuida dos investimentos de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, os acionistas declararam entender que a operação faz parte do curso das apurações em andamento e reiteraram o compromisso de colaborar “plenamente” com as autoridades para esclarecer os fatos.

Carlos Alberto Sicupira foi um dos alvos da PF, assim como Paulo Alberto Lemann (ex-integrante do Conselho de Administração e filho de Jorge Paulo Lemann).

Juntos, os acionistas de referência da Americanas somam metade do capital da Americanas, segundo formulário de referência da companhia. Esse bloco de controle está assim distribuído: Sicupira tem 0,09% diretamente e outros 28,22% por meio da afiliada Sawdog; Telles detém 6,62% via Samer Investiment e Lemann soma 15,07% através da Cedar Trade.

A Operação Disclosure da PF investiga a fraude bilionária na Americanas, que veio a público em 2023 e provocou um rombo de R$ 25,3 bilhões na companhia. Na ação, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Pela primeira vez, a investigação chegou aos acionistas da Americanas e a executivos de grandes bancos.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões. A operação tem apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Os acionistas de referência foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 25 (Disclousure). As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”, diz a nota distribuída à imprensa.

No texto, o grupo afirma ter tido conhecimento das fraudes contábeis em 11 de janeiro de 2023, quando o escândalo veio a público. “Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos”.

A nota conclui que as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial, “razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar.”

Segundo o colunista Lauro Jardim, a operação da PF de hoje, que integra a segunda fase da Disclosure, é baseada em três delações premiadas (dos ex-diretores Marcelo Nunes, Fabio Abrate e Flávia Carneiro), na quebra de sigilo de dados da Americanas e depoimentos colhidos nos últimos dois anos pelos policiais federais e pelo MPF. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.

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