O general do Exército dos Estados Unidos encarregado de distribuir as vacinas contra a Covid-19 no país admitiu que falhou no número inicial de doses prometidas aos estados. Gustave Perna, chefe da Operação Warp Speed, disse que assumiu “a responsabilidade pessoal pela falha de comunicação” aos governadores estaduais. Ele também anunciou que as doses da recém-aprovada Moderna começam a chegar aos provedores de saúde nesta segunda-feira.
Mais de 12 estados já expressaram preocupação com um corte no número esperado de imunizantes. Em resposta, Perna pediu desculpas várias vezes aos governadores estaduais, durante uma entrevista por telefone a repórteres. Ele disse que havia distribuído o número de doses com base no que acreditava estar pronto, enfatizando que o erro era fruto de sua culpa pessoal.
“Fui eu que aprovei as planilhas de previsão. Fui eu que aprovei as alocações”, disse. “Não há problema com o processo. Não há problema com a vacina do Pfizer. Não há problema com a vacina da Moderna. Eu falhei. Estou me ajustando. Estou consertando e vamos avançar a partir daí”. Perna também disse não saber “com exatidão” quando todas as vacinas disponíveis seriam distribuídas.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos sugeriu que a discrepância poderia ser entre o número de doses fabricadas e o número realmente pronto para distribuição, já que o material precisa ser submetido a esterilização e outros exames.
Perna, por sua vez, disse que a vacina Moderna recém-aprovada começará a ser distribuída e que ele está prestes a assegurar o total combinado de cerca de 20 milhões de doses da vacina entregue aos estados ainda este ano. Ele completou que, dessa vez, espera fazer o sistema funcionar “perfeitamente”.
Os EUA registraram mais de 17,5 milhões das 76 milhões de infecções confirmadas globalmente desde o início da pandemia, além de 315 mil mortes pela doença. Ambos são os maiores números do mundo, de acordo com a pesquisa da Universidade Johns Hopkins.
Reforço
A agência regulatória de saúde dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) permitiu o uso emergencial da vacina da Moderna para a Covid-19 na sexta-feira (18). O imunizante da empresa americana é o segundo autorizado para distribuição nos Estados Unidos, depois da vacina da Pfizer, e as primeiras remessas começaram a sair dos armazéns ao longo desta manhã, rumo às instalações dos órgãos de saúde do país.
Nesta semana, a FDA, órgão americano equivalente à Anvisa, havia anunciado que a vacina da Moderna é altamente protetora e não apresenta “nenhum problema de segurança”. A nova revisão publicada pela FDA confirma que a vacina tem uma alta taxa de eficácia: 94,1% das pessoas vacinadas desenvolveram imunidade contra a doença. Os efeitos colaterais — febre, dor de cabeça e fadiga — foram desagradáveis, mas não perigosos, concluiu a agência. O ensaio reuniu 30 mil pessoas.
Esta é a primeira autorização regulatória conferida à vacina da Moderna no mundo. Ela é aplicada em duas doses e tem uma tecnologia baseada no RNA mensageiro, como a vacina da Pfizer. Contudo, é considerada mais fácil de manusear do que a concorrente, por não depender de um armazenamento a temperaturas muito baixas — a da Pfizer precisa ser mantida a -75º Celsius. As doses podem ser mantidas em refrigeradores comuns, enquanto as da Pfizer dependem de aparelhos especiais e mais caros.
Um comunicado do distribuidor McKesson Corp informou que começou a enviar as doses e os kits de suprimentos auxiliares para administrar a vacina, cuja distribuição para mais de 3.700 locais ampliará enormemente a implementação iniciada na semana passada pela Pfizer Inc. O governo dos EUA planeja entregar 5,9 milhões de injeções de Moderna e 2 milhões de injeções de Pfizer nesta semana.
