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O Comitê de Política Monetária do Banco Central considera “pouco provável” um aumento adicional no ritmo de corte dos juros básicos

Na semana passada, o Copom iniciou o ciclo de afrouxamento da política monetária. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) afirmou que julga como “pouco provável” um aumento adicional no ritmo de corte da Selic (taxa básica de juros), que o colegiado já indicou que deve se manter em 0,5 ponto porcentual nos próximos encontros. Na semana passada, o Copom iniciou o ciclo de afrouxamento da política monetária com um corte de 0,5 ponto da taxa básica de juros – de 13,75% para 13,25% ao ano.

“O comitê julga como pouco provável uma intensificação adicional do ritmo de ajustes, já que isso exigiria surpresas positivas substanciais que elevassem ainda mais a confiança na dinâmica desinflacionária prospectiva”, escreveu o Copom na ata.

Segundo o colegiado, essa confiança viria apenas com uma alteração dos fundamentos da dinâmica da inflação, como uma desaceleração mais forte do que a esperada dos preços de serviços.

Após a reunião da semana passada, alguns analistas consideram a possibilidade de um corte de até 0,75 ponto nas próximas reuniões do Copom. Na ata, porém, o colegiado afirma que houve unanimidade sobre a expectativa de reduções de 0,5 ponto, e que os seus integrantes “avaliaram que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”.

O corte anunciado na semana passada foi o primeiro em três anos. A votação terminou dividida, com 5 votos a 4 pelo porcentual de 0,50 ponto. O voto de desempate foi dado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, o que foi visto por analistas como um aceno ao governo – que tem criticado a condução da política monetária.

Decisão

A decisão de cortar o juro básico foi dividida, por 5 a 4. Segundo a ata, o grupo que apostou no corte de meio ponto apontou para a forte queda da inflação nos últimos meses. Já o grupo de quatro diretores, que votou pelo corte de 0,25 ponto percentual, deu mais ênfase às expectativa de inflação, que caíram menos, e à inflação de serviços, que permanece mais alta.

“Alguns membros deram mais ênfase à dinâmica recente, enquanto outros enfatizaram que os fundamentos subjacentes para a dinâmica da inflação de serviços ainda não permitem extrapolar com convicção o comportamento benigno recente”, diz um trecho da ata.

O grupo de quatro diretores, que votou pelo corte de 0,25 ponto percentual, também pontuou que o BC havia sinalizado quedas “parcimoniosas” da taxa de juros.

“Um grupo defendeu uma redução da taxa de juros mais parcimoniosa. Para esse grupo, a própria sinalização do Comitê já enfatizava a cautela e a parcimônia em tal conjuntura e, na opinião desses membros, não se observaram alterações relevantes no cenário ou projeções do Comitê que justificassem uma reavaliação dessa sinalização”, aponta.

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