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O Conselho Nacional de Justiça cobrou uma explicação do juiz da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro por manifestação política no primeiro turno

Além do pedido da OAB, Bretas foi alvo de outras duas representações, feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) do Rio. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, determinou que dois desembargadores e três juízes apresentem, em 15 dias, explicações ao Conselho Nacional de Justiça por terem descumprido norma do CNJ e se manifestado politicamente no primeiro turno das eleições. Entre os magistrados que terão de se justificar está o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, responsável pela Lava-Jato no Estado. Ele usou o Twitter para parabenizar a eleição de Flávio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira (PSD) ao Senado.

“Parabenizo os novos Senadores, ora eleitos pera representar o Estado do Rio de Janeiro a partir de 2019, Flavio Bolsonaro e Arolde de Oliveira. Que Deus os abençoe!”, escreveu o juiz. Filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Flávio também usou a rede para agradecer a mensagem do juiz: “Obrigado, Dr. Bretas, e que Deus nos dê muita sabedoria, todos os dias, para fazermos a Sua vontade!”.

O desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori, do Tribunal de Justiça de São Paulo, a desembargadora federal Ângela Mari Catão Alves, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e as juízas Márcia Simões Costa, da Vara do Júri de Feira de Santana (BA), e Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha, substituta da 6ª Vara Criminal de Londrina, também deverão se justificar.

Parabéns direcionado

Flávio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira foram os únicos candidatos eleitos parabenizados pelo juiz federal.

Essa não é a primeira vez que Bretas demonstra apoio à família Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral, o juiz federal curtiu algumas publicações do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL), além de compartilhar notícias que envolvem o capitão da reserva, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

Em agosto, Bretas curtiu uma postagem de Bolsonaro em que o presidenciável elogiava o sistema de educação da Coreia do Sul. No mês seguinte, o juiz federal publicou uma notícia sobre pesquisa eleitoral em que o militar aparecia na frente com a frase: “É chegada a hora da decisão. Participemos todos do processo eleitoral. Informe-se e escolha seus candidatos”. O perfil de Bretas depois apagou algumas publicações e deixou de mostrar as interações com as páginas de presidenciáveis.

Marcelo Bretas disse que não manifestou preferência a nenhum candidato. “Entendo que, ao ‘curtir’ uma postagem, apenas manifesto minha concordância com determinado tema ou proposta, sem que isso represente um apoio a qualquer candidato. Eventualmente apoio ideias, mas não pessoas ou candidatos”, afirmou o juiz.

Apoio proibido

A Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979) proíbe o juiz de participar de atividade político-partidária.

Por sua vez, o Provimento 71 da Corregedoria Nacional de Justiça dispõe, entre outros pontos, que o magistrado deve agir com reserva, cautela e discrição ao publicar seus pontos de vista nos perfis pessoais nas redes sociais, evitando a violação de deveres funcionais e a exposição negativa do Poder Judiciário.

Também orienta que o magistrado evite, nesses canais, pronunciamentos oficiais sobre casos em que atuou e publicações que possam ser interpretadas como discriminatórias de raça, gênero, condição física, orientação sexual, religiosa e de outros valores ou direitos protegidos ou que comprometam os ideais defendidos pela Constituição da República.

Para o corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, essas normas proíbem o magistrado de apoiar candidatos a cargos eletivos em redes. “O juiz tem que ser prudente, sensível, sábio, e expressar sua opinião apenas através do voto [nas eleições]”, disse. (Com informações Conjur.)

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