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O coordenador da Operação Lava-Jato no Paraná foi questionado por misturar religião e política

Dallagnol é o coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Paraná, o procurador da República Deltan Dallagnol dividiu opiniões ao anunciar que faria jejum e orações durante o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula no STF (Supremo Tribunal Federal), marcado para esta quarta-feira (4). Em entrevista à rádio “Jovem Pan”, ele rebateu as críticas de internautas que discordaram da mistura entre religião e política.

“Expressar sua fé faz parte da liberdade religiosa e de expressão. Promotor, procurador não deixa de ser cidadão. Me expressei em rede social pessoal”, destacou Deltan, que se identifica como “seguidor de Jesus” em sua conta no Twitter.

O procurador aproveitou o Domingo de Páscoa para incentivar a prática de um exercício espiritual muito popular durante a quaresma, o jejum, durante o julgamento do STF. A atitude recebeu o apoio do juiz Marcelo Bretas, responsável pelos processos em primeira instância da Operação Lava-Jato do Rio.
“Caro irmão em Cristo, como cidadão brasileiro e temente a Deus, acompanhá-lo-ei em oração, em favor do nosso País e do nosso Povo”, escreveu o magistrado no Twitter.

Deltan é um dos integrantes do Ministério Público que, aliados com representantes do Judiciário, protocolaram uma nota técnica em favor da prisão na segunda instância. Nesta quarta-feira, por ocasião do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula, já condenado nas duas instâncias, a alta Corte avalia se o cumprimento da pena deve aguardar o fim de todos os recursos. Uma decisão favorável aos réus — diferente do entendimento do STF de 2016 — arrisca colocar em xeque, segundo o procurador, os quatro anos de trabalho da Operação Lava-Jato e garantir a “impunidade sistêmica”.

“Estamos prestes a jogar tudo o que foi feito no lixo por meio de uma mudança de entendimento que vai continuar a impunidade (…) Se o Supremo impedir [a prisão após segunda instância] vai impactar não só a Lava-Jato. Não tem motivo para mudar entendimento. Se mudar essa regra vai ser um marco de impunidade. Vai soltar corruptos, traficantes, pedófilos. E não é alarmismo”, ressaltou Deltan, na entrevista.

Retrocesso

O procurador da República afirmou que a análise do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo STF é o julgamento mais importante da História da Operação Lava-Jato até o momento. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo ao lado de outros procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, ele destacou que o caso não se limita à situação do petista.

“Não diz respeito a uma pessoa, mas diz respeito à impunidade de todos os poderosos. Não só em relação à corrupção da Lava-Jato, mas também em relação à uma infinidade de outros casos”, disse Dallagnol. “Amanhã (quarta-feira) nós temos o grande risco de retroceder dez anos em um dia”, completou.

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