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O coronavírus pode levar milhões de mulheres ao aborto inseguro

No início de março, mulheres protestaram em frente à Suprema Corte dos EUA em meio às discussões sobre o acesso ao aborto no país. (Foto: AFP)

Milhões de mulheres e meninas podem se ver obrigadas a levar adiante gravidezes indesejadas ou a arriscarem suas vidas em abortos inseguros durante o período de isolamento social necessário para evitar que a pandemia de Covid-19 se expanda ainda mais. As quarentenas devido ao novo coronavírus restringem o acesso aos serviços de planejamento familiar, afirma a organização beneficente Marie Stopes International.

A entidade adverte que as mulheres já têm problemas para conseguir contraceptivos, como a pílula anticoncepcional, e para ter acesso a procedimentos abortivos em meio a pandemia. Segundo a Marie Stopes International, a perda desses serviços pode afetar a até 9,5 milhões de mulheres e resultar em 2,7 milhões de abortos inseguros adicionais em todo o mundo.

“As mulheres e as meninas pagarão um preço alto se os governos não atuarem agora”, disse o presidente executivo da Maria Stopes International, Simon Cooke. “O aborto é um procedimento essencial e urgente e os atrasos por distanciamento social, o fechamento de centros médicos e as restrições de viagem terão um impacto profundo.”

As quarentenas por coronavírus estão forçando clínicas e programas de divulgação a fecharem, à medida que as equipes médicas se redistribuem para combater a pandemia. Além disso, a inatividade em farmacêuticas chinesas e os atrasos no envio de medicamentos têm causado a escassez desses produtos. Enquanto isso, as mulheres que estão em isolamento domiciliar convivem com probabilidades maiores de violência doméstica, o que pode levar a gravidezes forçadas.

No último sábado (4), a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um comunicado classificando os serviços de saúde reprodutiva como “essenciais”:

Os serviços relacionados à saúde reprodutiva são considerados parte dos serviços essenciais durante o surto de COVID-19. Isso inclui métodos contraceptivos, cuidados de saúde de qualidade durante e após a gravidez e o parto e aborto seguro em toda a extensão da lei”, afirma um trecho do comunicado, que se refere às leis dos EUA, onde o aborto é legalizado em vários estados.

Os serviços de saúde sexual foram “severamente afetados” em vários países, e é provável que a situação piore, diz Manuelle Hurwitz, da Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, na sigla em inglês).

“Há um colapso desses sistemas e serviços de saúde e creio que será necessário muito tempo para recuperá-los, mesmo depois que a pandemia tenha terminado oficialmente.

Uma pesquisa recente realizada entre as 80 organizações que são membros da IPPF descobriu que um em cada cinco serviços de planejamento familiar se viu obrigado a fechar clínicas, enquanto outros tiveram que reduzir serviços. Alguns dos provedores que responderam à pesquisa informaram que há escassez de medicamentos, incluindo contraceptivos, remédios para pacientes com HIV, testes de gravidez e pílulas abortivas.

Os serviços que oferecem medicamentos para aborto afirmaram que o número de consultas aumentou. O Women on Web, com sede na Holanda, informou que as chamadas duplicaram. As informações são do jornal O Globo e da agência de notícias Reuters.

 

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