A passagem pelo governo estadual de Franco Montoro (1983-1987) em São Paulo, rendeu ao hoje presidente Michel Temer uma longa e fiel amizade com o então coronel da PM (Polícia Militar) João Baptista Lima Filho, preso na manhã de quinta-feira pela PF (Polícia Federal).
Procurador-geral de Montoro em 1982 e secretário de Segurança Pública em 1984, Temer tinha o oficial como assistente. Como parte de suas funções, ele andava para cima e para baixo com o titular da pasta. “Coronel Lima” ou “Doutor Lima”, como é conhecido, ajudou Temer em campanhas políticas durante muitos anos, como coordenador dos comitês eleitorais.
Eles acabaram tão próximos que Lima chegou a atuar até mesmo como uma espécie de conciliador de seus problemas com a família. Essa relação se solidificou no primeiro divórcio de Temer, em 1987. Na época, o emedebista era casado com Maria Célia de Toledo, a primeira de suas quatro mulheres e mãe de suas filhas Maristela, Luciana e Clarissa. Lima ajudava, por exemplo, a conter os acessos de ciúmes de Maria Célia.
“Ela chegava a ligar na casa dos conhecidos para investigar onde ele estava, se estava com alguém”, relembra um interlocutor de Temer na época. “Acabou virando um amigo para ‘qualquer enrosco’.”
Investigado
Hoje com 75 anos, o coronel aposentado entrou para o radar da Operação Lava-Jato com a proposta de delação premiada de José Antunes Sobrinho, sócio da empreiteira Engevix e que, em 2016, relatou à força-tarefa ter pago ao menos R$ 1 milhão de propina a Lima. Segundo o delator, Lima disse que o dinheiro iria para campanhas de Temer, que sempre negou.
Lima é apontado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) como um dos intermediários da propina que seria paga para a aprovação do chamado “decreto dos portos”, assinado por Temer em maio do ano passado e que aumentou de 25 para 35 anos o prazo dos contratos de concessão, beneficiando a empresa Rodrimar e outra concessionária.
