O corte da taxa de juros em um ponto percentual, para 11,25% ao ano, veio dentro do esperado pelo mercado financeiro. Mas a avaliação de analistas é de que a Selic precisaria cair a um patamar ainda mais baixo para impactar a atividade econômica, uma vez que o chamado juro real (descontada a inflação) continua alto e ainda inibe a retomada dos investimentos.
“A Selic está na direção certa, mas nesse patamar ainda não é suficiente para retomar e estimular investimento”, afirma o professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Nelson Marconi. Para o economista, a desaceleração da inflação permitiria um corte maior, de 1,5 ponto percentual. “Com a economia paralisada, com uma taxa de desemprego que dobrou em dois anos e a inflação caindo para algo em torno de 3,5% ao ano, a queda da taxa de juros tinha que ser muito mais rápida”, diz.
Já o professor de economia Raphael Piza considera que, com a Selic no patamar de 11,25%, o mais baixo em quatro anos, as decisões de investimento de longo prazo começam a ficar mais viáveis. “O setor produtivo já começa a ter condições de competir melhor, isso vai refletir nos investimentos, mas o efeito só virá no longo prazo”, afirma.
Ainda que a redução da taxa de juros favoreça a redução das taxas cobradas pelos bancos para financiamentos, o professor de economia Simão Silber explica que costuma existir uma defasagem de seis meses para que um corte dos juros tenha impacto pleno na economia.
“No curto prazo, o impacto é só em expectativas, e fica mais fácil renegociar dívidas bancárias, o que diminui a inadimplência. O impacto maior estará ocorrendo no último trimestre do ano e principalmente em 2018”, destaca. Piza concorda que o impacto sobre o crédito será marginal. Outro efeito do corte desta quarta-feira (12), aponta Piza, é um alívio maior no pagamento dos juros da dívida pública para o governo, que cresceu este ano. (AG)
