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O deputado acusado de importunação sexual contra sua colega em São Paulo recebe pena mais branda

Em dezembro, na Alesp, Fernando Cury se aproximou por trás da deputada do PSOL, a abraçou e colocou a mão junto ao seio dela. (Foto: Divulgação/Alesp)

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo, formado por sete homens e duas mulheres, aprovou uma pena mais branda para o deputado Fernando Cury, que foi acusado de importunação sexual contra a deputada Isa Penna.

Na reunião virtual, o relator do caso, deputado Emídio de Souza, do PT, disse que defendia a cassação do mandato do deputado Fernando Cury, do Cidadania, mas apresentou uma alternativa. “Se dependesse da minha única e exclusiva vontade, teria sido o pedido de cassação do mandato e não o pedido de suspensão por seis meses. Mas eu o fiz na tentativa de construir um entendimento”, afirmou.

Em dezembro, em plena sessão da Assembleia Legislativa e diante dos outros deputados e das câmeras, Fernando Cury se aproximou por trás da deputada Isa Penna, do PSOL, a abraçou e colocou a mão junto ao seio dela. Isa Penna o empurrou para afastá-lo.

A defesa dela entrou com processo no Conselho de Ética da casa por importunação sexual. O relator propôs suspender o mandato de Cury e o funcionamento do gabinete dele por seis meses, sem remuneração para o deputado nem para os assessores.

O deputado Wellington Moura, do Republicanos, apresentou uma proposta mais branda: suspensão por quase quatro meses e mantendo o gabinete de Cury aberto, com os assessores sendo remunerados. “Seria difícil para mim, como cristão, não saber perdoar”, defendeu.

Essa proposta mais branda acabou sendo a mais votada, por cinco votos a quatro, em um Conselho de Ética majoritariamente masculino: dos nove integrantes, há apenas duas mulheres. Agora, o caso vai para decisão do plenário, mas a decisão provocou revolta no conselho.

O relator e o deputado Barros Munhoz, do PSB, que também defendia a cassação de Cury, renunciaram aos cargos no Conselho. A defesa de Fernando Cury declarou, em nota, que recebe a decisão de forma muito respeitosa e, a partir desse momento, espera a apreciação do plenário.

A deputada Isa Penna lamentou a decisão do Conselho e disse que vai lutar para mudá-la no plenário. “Ou seja, ele vai continuar com toda a equipe de 20 assessores dele trabalhando para um deputado que está suspenso. Não se trata aqui de uma sanção menos leve. Se trata de uma não sanção, uma licença. Pelo tapa que deram na cara das mulheres no dia de hoje. No plenário, vai se começar tudo do zero. Eu vou lutar pra que esse assediador seja cassado. Mas, no mínimo, uma resposta para a sociedade todos os deputados terão que dar de forma nominal. A sociedade merece essa resposta”, declarou Isa Penna.

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