Escolhido para relatar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados a
segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, o tucano Bonifácio de
Andrada (MG), 87 anos, se considera independente o suficiente para a missão,
mesmo tendo votado contra a admissibilidade do primeiro pedido da Procuradoria-Geral
da República, em agosto. “Desde a primeira denúncia fiz um exame
exclusivamente técnico, não fiz nenhum elogio ao presidente da República nem a
ninguém.”
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Andrada voltou a criticar a delação premiada
dos executivos da JBS, que baseia parte da nova denúncia. “Achei que o homem da
JBS (Joesley Batista) deveria ser processado”, reforçou.
Em agosto, a Câmara enterrou o pedido de investigação contra Temer por
corrupção passiva. Agora, o tucano vai se debruçar sobre um pedido que inclui os
ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da
Presidência). Temer é acusado de obstrução de justiça e organização criminosa.
O deputado mineiro – que está em seu décimo mandato na Câmara – desconversou
sobre o conflito interno no partido causado por sua indicação e disse que não vê a
possibilidade de ser destituído da Comissão de Constituição e Justiça.
