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O dia dos mortos já não é mais o mesmo!

O Dia de Finados é celebrado em 2 de novembro no Brasil. (Foto: Terdag Media)

Vamos refletir?

Diante de todos os problemas que temos neste País, e não são poucos, precisamos desacelerar dessa paranoia diária em que estamos inseridos e, como seres humanos, colocar nossa sensibilidade à prova ao analisarmos algumas questões humanas, por exemplo, a morte.

O cristianismo mantém sua tradição de sepultar seus mortos, pois assim aconteceu com Jesus Cristo. Por esse motivo, todos os cristãos são sepultados após sua morte.

Para reverenciarmos nossos entes queridos, que já partiram para a vida eterna, ao lado do Pai, conforme Cristo nos prometeu, foi estabelecido um dia em especial: “o dia dos mortos”, também conhecido como “dia de finados”, que, inclusive, é feriado nacional no Brasil, no dia 02 de novembro.

Essa data me faz lembrar o ano de 2021. Por consequência da pandemia da covid-19, a data foi ainda mais triste: os cemitérios nunca receberam tantos visitantes, e a tristeza e a saudade rodeavam a todos.

Recentemente, ao visitar o cemitério municipal de Barra do Ribeiro, observei as mais variadas situações: pessoas rezando pelos seus amigos e parentes, filhos pelos pais e, o mais impactante, pais orando por seus filhos falecidos. Essa, sim, foi a mais triste de todas as cenas que presenciei, pois vai contra a ordem natural da vida. A dor deve ser insuportável!

Passando pelos corredores, avistei muitos túmulos de conhecidos que partiram recentemente, pessoas de todas as idades, algumas muito jovens. Nessa hora, a cabeça da gente entra em “parafuso”!

Famílias inteiras estavam visitando seus entes queridos. Quando passei próximo a uma delas, uma pessoa comentou: “A minha geração é a última que virá visitar os túmulos; as gerações mais novas não estão fazendo isso”.

A partir desse comentário, passei a refletir: será mesmo que as gerações atuais e futuras deixarão de seguir essa tradição cristã?

Será que nossos túmulos não serão visitados, limpos e arrumados por nossos filhos e parentes próximos?

Será que ninguém irá levar flores e colocar sobre nossos túmulos?

Será que teremos um túmulo?

É uma possibilidade, pois o “capitalismo selvagem” em que estamos inseridos contribui diariamente para que isso aconteça, pois as empresas que fazem cremação de corpos estão crescendo a cada dia, vendendo esse tipo de “serviço”.

Eu ainda parto do princípio de que um cristão deve ser sepultado da mesma forma que Jesus Cristo foi. A cremação não faz parte da tradição cristã!

Fica a reflexão!

A cremação beneficia apenas dois atores neste processo: os filhos e parentes próximos dos falecidos, que não precisarão ir ao cemitério e, assim, poderão usufruir mais e melhor do feriado de 02 de novembro; e os crematórios, que seguirão aumentando seus negócios e lucros com essa nova modalidade para o desfecho final dos cristãos e não cristãos.

É claro que, se a cremação um dia vier a substituir o sepultamento em sua totalidade, não haverá mais o “dia dos mortos” para a tradicional visita aos cemitérios, mas também não haverá mais o feriado! Fica a reflexão!

* Prof. Luís Eduardo Souza Fraga – historiador e escritor (Contato: fragaluiseduardo@gmail.com)

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