O dólar se aproximou de R$ 4,10 nesta quarta-feira (22), ainda refletindo o nervosismo do mercado com o cenário eleitoral que levou o câmbio a romper a barreira de R$ 4 na véspera pela primeira vez em mais de dois anos. Investidores digeriam a pesquisa Datafolha divulgada no começo do dia, que mostra o ex-presidente Lula (PT) com 39% das intenções de voto, no primeiro levantamento realizado após os registros das 13 candidaturas ao Palácio do Planalto.
O dólar comercial avançou 044%, para R$ 4,057. Na máxima desta quarta, chegou a R$ 4,09. O dólar à vista subiu 2,16%, para R$ 4,0749.
Na simulação da disputa com Lula, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) mantém estabilidade no seu eleitorado, com 19% no segundo lugar. Aparecem embolados em terceiro Marina Silva (Rede, com 8%), Geraldo Alckmin (PSDB, 6%) e Ciro Gomes (PDT, 5%).
No cenário sem Lula – a condenação em segunda instância enquadra o petista na Lei da Ficha Limpa e deverá provocar sua inabilitação –, Bolsonaro surge à frente da disputa, com 22%.
Marina e Ciro dobram suas intenções de voto, ficando com 16% e 10%, respectivamente. Alckmin também sobe para 9%, empatando na margem com Ciro.
Fernando Haddad (PT), vice de Lula e potencial substituto do ex-presidente em caso de inabilitação de sua candidatura, não tem uma largada muito promissora: apenas 4% das intenções de voto, empatado com o senador Alvaro Dias (Podemos).
Apesar da melhor de Alckmin —candidato preferido pelo mercado por ser visto como um nome mais reformista –, a potencial transferência de votos de Lula para Haddad é o principal receio do mercado no momento.
A Rio Bravo Investimentos destaca, no entanto, que 31% votariam “com certeza” num candidato indicado por Lula. “Diminui a chance de um segundo turno com pelo menos um candidato centrista com o potencial de transferência de votos de Lula para Haddad e a resiliência dos votos de Bolsonaro”, escreveu em relatório da manhã.
O Datafolha ouviu 8.433 pessoas em 313 municípios, de 20 a 21 de agosto. O levantamento, parceria do jornal Folha de S. Paulo e TV Globo, foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR 04023/2018 e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
Nos últimos dois dias, os mercados brasileiros se descolaram do exterior e foram fortemente influenciados por pesquisas eleitorais.
Lá fora, o dólar avança apenas sobre 8 das 31 principais divisas do mundo.
“O mercado ainda não parece ter encontrado um novo patamar de equilíbrio e novas máximas devem ser testadas”, escreveu a Guide Investimentos em seu relatório.
Choque
O candidato a vice na chapa do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (22), após uma carreata em Aracaju (SE), que um eventual governo petista vai dar um “choque” nos bancos para baixar juros.
“Nós vamos dar um choque de juros nos bancos. Banco não vai poder cobrar o juro que cobra. Vai ter que baixar o juro para a pessoa poder tomar empréstimos, fazer o crediário, abrir um negócio, gerar emprego, limpar o nome. Tudo isso é importante com juro barato”, afirmou Haddad.
