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O doleiro Lúcio Funaro detalhou pedidos de Temer para ajudar o candidato do então vice-presidente da República nas eleições à prefeitura de São Paulo em 2012

Doleiro afirmou que Temer solicitou doações para Gabriel Chalita (foto) à prefeitura de São Paulo. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Em um dos vídeos de seu acordo de delação premiada, o doleiro Lúcio Funaro deu detalhes sobre o episódio no qual, segundo ele, o presidente Michel Temer solicitou, por meio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), doações à candidatura de Gabriel Chalita para a prefeitura de São Paulo na eleição de 2012 e disse que o dinheiro que abasteceu a campanha do peemedebista foi obtida por meio de propinas. À época, Temer era vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB.

Apontado como operador do chamado grupo do PMDB da Câmara, Funaro também relatou aos procuradores da República que pediu que o empresário Joesley Batista – dono do grupo J&F – repassasse, por meio de doações oficiais, propinas que ele tinha acumulado como crédito junto ao empresário para a campanha de Chalita.

Diante do empenho de Temer para eleger o candidato do PMDB prefeito de São Paulo na eleição de 2012, o delator disse que chegou a colocar dinheiro do próprio bolso e de suas empresas na campanha e até emprestar seu helicóptero pessoal para Chalita se deslocar pela cidade.

Funaro é considerado por investigadores da Lava-Jato como operador de antigos expoentes do PMDB da Câmara, entre eles Temer, Cunha, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. O doleiro, que está preso desde o ano passado, fechou em agosto acordo de delação, homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Os depoimentos de Funaro foram usados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) na denúncia apresentada por obstrução de Justiça e organização criminosa apresentada contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

“Empenhado”

Segundo Funaro conta nos vídeos, Temer estava “empenhado” na tentativa de eleger Chalita – que à época ainda estava no PMDB – prefeito de São Paulo.

O doleiro relatou aos procuradores que pediu a Joesley Batista a doação de R$ 3 milhões para a campanha de Chalita. De acordo com Funaro, o repasse foi descontado da “conta corrente” relacionada a operação ilícitas que ele mantinha junto ao dono do frigorífico JBS.

“O que eu mandei ele [Joesley] doar, ele descontou da conta corrente. Então, na verdade, fiz porque foi um pedido do Michel Temer para o Eduardo Cunha, e eu via que o presidente Michel Temer estava empenhado em eleger o Gabriel Chalita”, enfatizou.

Funaro também relatou que doou “horas de voo” em seu helicóptero particular para a campanha peemedebista.

Nos depoimentos, o doleiro contou que esteve com Temer, em São Paulo, durante a corrida eleitoral de 2012. Ele afirmou aos investigadores que, em um domingo, encontrou o então vice-presidente da República em um evento da campanha de Chalita em uma igreja evangélica.

“Você via que, num domingo, o vice-presidente indo com candidato não sei aonde, estava realmente empenhado a eleger Gabriel Chalita”, comentou o doleiro.

A defesa de Temer afirmou, por meio de nota, que as “afirmações do desqualificado delator não passam de acusações vazias, sem fundamento em nenhum elemento de prova ou indiciário”.

Certeza

Nos depoimentos à PGR, Lúcio Funaro também explicou o funcionamento do esquema de corrupção que envolvia políticos do PMDB.

Questionado se Temer participava das ações, o doleiro disse que “nunca viu” o presidente pegando dinheiro, mas que “tinha certeza” que ele sabia das ações.

Neste momento do depoimento, os investigadores pediram que Funaro apresentasse um exemplo capaz de indicar que Michel Temer tinha ciência do esquema de corrupção que atuava dentro do PMDB. O delator, então, citou a campanha de Chalita e também o episódio de um suposto repasse de propina do empresário Henrique Constantino, sócio da companhia aérea Gol.

“Quando o Gabriel Chalita se candidatou a prefeito de São Paulo precisava dum valor antecipado para ser usado na campanha dele. E eu consegui que o Henrique Constantino adiantasse esse valor”, detalhou o doleiro.

“Solicitei ao deputado Eduardo Cunha que pedisse que o presidente Michel Temer ligasse pro Henrique Constantino pra falar que estava agradecendo a doação, como sinal de que o presidente Michel Temer estava a par daquilo que estava ocorrendo, e na hora ele fez”, complementou Funaro.

O dinheiro, de acordo com o delator, era fruto de propina e tinha origem no atendimento de interesses da empresa BRVias junto à Caixa Econômica Federal.

“Se não me engano, acho que foi exatamente 300 milhões [de reais]. A propina foi paga parte em doação para campanha do Gabriel Chalita, parte em pagamento através de emissão de nota das minhas empresas e parte em pagamento de emissão de notas fiscais das empresas do deputado Eduardo Cunha”, detalhou.

Indagado sobre o motivo da doação a Chalita, Funaro explicou que foi um pedido de Temer.

 

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