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O doping de Maria Sharapova é muito mais do que um erro na carreira da atleta mais bem paga do mundo

Tenista foi flagrada com uma droga que estreou só em janeiro na lista da Wada (Agência Mundial Antidoping). (Crédito: Reprodução)

O doping da atleta mais bem paga do mundo, Maria Sharapova, 28 anos, é muito mais do que um erro na carreira da russa. É o pequeno pedaço de um iceberg que está longe de ser desvendado. Um caso que mostra como o uso de substâncias dopantes é polêmico e complexo e como potências esportivas se beneficiam dele.

A tenista foi flagrada com uma droga que estreou só em janeiro na lista da Wada (Agência Mundial Antidoping). Todos os anos, a listagem é revisada e novos elementos entram e saem dela.

O meldonium estava na mira havia mais de um ano. Ele é um medicamento utilizado para o tratamento de isquemia, que é a diminuição de irrigação sanguínea em uma determinada parte do corpo. Parece não ter ligação nenhuma com o esporte, muito menos com atletas que buscam melhorar suas performances. Mas estudos já mostravam que podia, sim, estar sendo usado para este fim.

O meldonium era um medicamento legal, que podia ser usado sem problemas por aqueles que queriam obter vantagens no esporte. Por isso, a Wada passou a monitorá-lo e reunir evidências que comprovassem o uso dele como doping.

A preocupação da agência tem se mostrado acertada. O porta-voz da Wada, Ben Nichols, anunciou que já foram encontrados 99 resultados adversos para a droga desde o início do ano. Dos 16 já confirmados, sete são de russos. Sharapova é o caso mais midiático, mas os números não param de crescer.

Para Nichols, é pouco provável que a avalanche de positivos tenha acontecido por negligência de atletas e equipes, argumento usado pela tenista para se explicar. É difícil imaginar que existam tantos esportistas sendo tratados de casos isquêmicos com a mesma droga.

Sharapova, que só em 2015 faturou 23 milhões de dólares em publicidade, segundo a revista Forbes, alega que tomava o medicamento havia dez anos para tratar problemas de saúde. Ela disse que não sabia que o remédio havia se tornado doping. (Folhapress)

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