O governo espanhol fechou nesta segunda-feira (3) o espaço aéreo do aeroporto internacional de Barajas, em Madri, o mais movimentado do país, diante da possível presença de drones em uma área de decolagem.
“Dois pilotos viram um drone”, disse uma porta-voz do Enaire, que administra aeroportos na Espanha. Foi aplicado o protocolo de segurança para esses casos. O aeroporto ficaria fechado até 14h40 (hora local), e o incidente está sendo investigado, disse a porta-voz. O operador Aena comunicou que 22 voos tiveram que ser desviados por causa do fechamento.
Mas como um simples drone consegue atrapalhar o funcionamento de um grande aeroporto internacional? E quais são os riscos desses robôs voadores?
Drones
Para algumas pessoas, o termo “drone” traz à mente imagens de ataque aéreos – mas os sofisticados veículos aéreos não-tripulados usados no campo de batalha são muito diferentes daqueles que levaram à paralisação dos aeroportos.
A maioria dos aparelhos voadores são, na verdade, pequenos mini-cópteros manejados por controle remoto e muito usados por fotógrafos e aeromodelistas. Esses pequenos aparelhos hoje se tornaram muito comuns e caíram no gosto do público, podendo ser comprados em qualquer loja de eletrônicos. Em geral, os preços podem ir de R$ 400 a mais de R$ 50 mil.
Drones também têm sido cada vez mais usados pela indústria, a exemplo dos segmentos de construção e de varejo.
Danos
Em outubro de 2017, um drone colidiu com uma aeronave comercial no Canadá, atingindo uma das asas. Apesar do pequeno dano, o avião pousou em segurança. Pesquisas sobre danos de drones a aviões ainda são restritas, mas diversas instituições testaram uma variedade de cenários e cada um parecia ter uma conclusão diferente.
Testes conduzidos na Universidade de Dayton, nos Estados Unidos, simularam uma colisão no ar entre um drone de 1kg e uma aeronave comercial viajando a 383 km/h e o resultado parecia não ser grave: a nave sofreria poucos danos.
Outra pesquisa da Aliança para Segurança de Sistemas Não-Tripulados com a Autoridade Federal de Aviação dos EUA sugeriu que drones poderiam inflingir mais dano que uma eventual colisão da aeronave com pássaros. Além disso, as baterias de lítio que são usadas nos drones podem não ser destruídas com o impacto e acabar grudadas na superfície do avião, gerando um risco potencial de fogo.
O especialista em robótica Ravi Vaidyanathan, do Imperial College em Londres, disse à BBC que a ameaça de drones a aeronaves é pequena, mas não pode ser ignorada. “A probabilidade de uma colisão é pequena, mas um drone poderia ser dragado por um turbina”, afirma. “Um drone de mais de 2kg poderia quebrar o vidro da cabine para alguns tipos de aeronaves.”
“Um drone parece frágil, mas a bateria é forte, e se você comparar um drone e um pássaro, o primeiro pode ser mais perigoso se passar pela turbina ou atingir a fuselagem”, afirma Martin Lanni, presidente da empresa de segurança aérea Quantum Aviation.
De acordo com as autoridades britânicas de aviação, houve 92 episódios de aviões e drones quase colidindo em 2017. No Brasil, segundo a FAB (Força Aérea Brasileira), o número de avistamentos – quando um avião detecta um drone e avisa a torre para garantir a segurança – foi de 15 em 2017, 18 em 2018 e um em 2019.
