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O ex-deputado Eduardo Cunha afirmou que o Ministério Público e Joesley Batista forjaram a compra de seu silêncio para derrubar o presidente Michel Temer

No primeiro processo, Moro condenou Cunha a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujo mandato foi cassado em setembro de 2016, negou nesta segunda-feira (6) que seu silêncio tenha sido “comprado” pelo empresário Joesley Batista, da JBS/Friboi, para evitar que fizesse delação e afirmou que a suposta compra do seu silêncio foi “forjada para derrubar o mandato do presidente Michel Temer”.

A declaração de Cunha foi em resposta a uma pergunta do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal em Brasília, durante depoimento à Justiça Federal em Brasília, no âmbito dos interrogatórios da ação penal derivada da Operação Sépsis. Cunha declarou que a suposta trama – levantada na colaboração de Joesley Batista – foi montada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) para provocar a queda do presidente.

A acusação embasou a segunda denúncia ajuizada pelo ex-procurador geral da República Rodrigo Janot contra Temer. A Câmara negou prosseguimento à ação. “Queriam atribuir isso para justificar uma denúncia que pegasse o mandato do senhor Michel Temer. Prova forjada, deram uma forjada e o senhor Joesley foi o cúmplice dessa forjada. Ele está pagando por isso o preço agora”, declarou Cunha, referindo-se ao pedido de rescisão da delação do empresário por suspeitas de que tenha omitido informações dos investigadores.

O deputado cassado alegou que o MPF (Ministério Público Federal) não lhe havia proposto uma colaboração. “Ele [Joesley] construiu a retórica de que o senhor Michel Temer era complacente com a compra do silêncio para eu não delatar”, comentou.

Cunha foi interrogado desde na ação em que é réu por suposto envolvimento em esquema de corrupção na Caixa. Também são acusados o corretor Lúcio Funaro e o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, ambos delatores do caso, além do ex-ministro e ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

O ex-deputado negou todas as acusações de recebimento de propina feitas pelo MPF e pelos colaboradores. Disse que sua defesa vai pedir perícia de planilhas apresentadas por Funaro, nas quais constariam os pagamentos ilícitos feitos a ele.

Para confrontar Cunha, o corretor mostrou uma dessas planilhas durante a audiência. No papel, constaria uma anotação feita pelo ex-deputado. Ele, no entanto, afirmou que não queria “nem olhar” o documento para dizer se o manuscrito é seu.

“Vossa Excelência faça a perícia e comprove que é minha a letra”, disse, dirigindo-se ao procurador Anselmo Lopes, que o inquiria. “Vamos representar à PGR [Procuradoria-Geral da República] para fazer reexame na delação do senhor Lúcio Funaro.”

Audiência

Cunha disse que marcou uma audiência em 2010 entre o operador Lúcio Funaro e o ministro Moreira Franco, à época vice-presidente da Caixa, mas que, diferentemente do que Funaro delatou, ele não recebeu propina por essa intermediação.

Cunha também disse que Funaro não esteve com o presidente Michel Temer nas três ocasiões que o operador mencionou em seus depoimentos – em um culto evangélico, num comício em Uberaba (MG) e na base aérea de São Paulo.

“Se Moreira Franco recebeu [propina], e se tratando do Moreira Franco até não duvido, não foi através das minhas mãos”, disse Cunha ao juiz Vallisney Oliveira.

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