Em caso de vitória de Jair Bolsonaro (PSL) nas urnas no próximo domingo, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB) se prepara para ficar bem distante da imagem de um “vice decorativo”, como já reclamou um dia o presidente Michel Temer. Em entrevista à imprensa, Mourão afirmou que estará dentro do Palácio do Planalto, em uma sala ao lado da do presidente da República, com participação efetiva no governo.
“Eu me vejo como um assessor qualificado do presidente, um homem próximo ali, junto dele, dentro do Planalto, ali do lado dele, nossas salas serão juntas. Não seremos duas figuras distantes, como já aconteceu, um para o lado e o outro para o outro lado. Aquelas reuniões que ocorrem ali, eu estarei presente”, declarou o ex-militar.
As salas da Vice-Presidência funcionam num anexo do Palácio do Planalto, e não nos andares da Presidência. Mourão espera que Bolsonaro delegue a ele funções de liderança num eventual governo: “Eu posso atender à necessidade de coordenar trabalhos que sejam interministeriais. Ele pode me delegar essa tarefa. Por exemplo, em projetos de infraestrutura, de parceria público-privada, coisas que a gente tenha algum conhecimento”.
Durante a campanha eleitoral, alguma das declarações polêmicas de Mourão foram desautorizadas por Bolsonaro. Em uma dessas ocasiões, o presidenciável chegou a orientar o seu vice a ficar calado até o dia da votação. O general já fez críticas e defendeu mudanças no décimo-terceiro salário, aventou a possibilidade de um “autogolpe” em caso de “anarquia” e defendeu a necessidade de uma nova Constituição Federal, elaborada por uma comissão de “notáveis” e sem passar pelo crivo do Congresso Nacional.
Expectativa
Embora faça planos para uma Vice-Presidência, o general da reserva disse que é preciso aguardar o resultado das urnas no domingo. Bolsonaro vem liderando as pesquisas de intenção de voto na véspera do segundo turno da disputa presidencial. Mas o desempenho na última pesquisa do Ibope acendeu um alerta vermelho na campanha do presidenciável.
“Isso aqui é igual o programa do Chacrinha, ‘só acaba quando termina’. Temos que aguardar o final e evitar o clima de já ganhou. Mas acho que está bem encaminhado esse processo eleitoral”, avaliou Mourão.
Ele também voltou a reclamar da acusação de que foi torturador na ditadura, feita pelo cantor Geraldo Azevedo e reproduzida pelo oponente de Bolsonaro, Fernando Haddad (PT). O cantor disse posteriormente que se equivocou e pediu desculpas:
“As pessoas têm de entender que um processo eleitoral não pode ser uma guerra, com pessoas se xingando. Eu mesmo fui alvo de uma baixaria sem tamanho, essa que o cara falou que eu era torturador. Eu tenho filho e neto. Meu neto tem 11 anos de idade. Chegam pra ele: “Vem cá, seu avô é torturador?” É um troço muito constrangedor, as pessoas não se dão conta do que falam. Vou processar os dois”, disse o vice de Bolsonaro.
Mourão chamou de “retórica” a declaração de Bolsonaro direcionada a apoiadores que estavam na Avenida Paulista, em São Paulo, no último domingo. O presidenciável fez um ataque direto a seus opositores, com ameaça de prisão e de perseguição, numa declaração típica de candidatos e governos autoritários: “É uma retórica que Bolsonaro utiliza, muito mais figurada que real. Temos de desarmar esses espíritos todos”.
