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O ex-governador do Rio Sérgio Cabral cita Aécio Neves e mais cinco como recebedores de propina

Preso desde novembro de 2016 e condenado em processos derivados da Operação Lava-Jato, Cabral pediu desculpas por ter participado de esquemas de corrupção. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Preso desde novembro de 2016 e condenado a 198 anos e seis meses de prisão em processos derivados da Operação Lava-Jato, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) pediu nesta sexta-feira (05) desculpas por ter participado de esquemas de corrupção e citou ao menos seis políticos durante depoimento ao juiz Marcelo Bretas. “A fronteira entre o legítimo e o ilegítimo vai se perdendo, você vai fragilizando os seus conceitos éticos, de regras e princípios”, afirmou ele.

Na audiência, Cabral foi questionado por Bretas quanto ao porquê de seguir recebendo propina, mesmo depois de já ter recebido mais de R$ 100 milhões em valores indevidos, e disse que era uma questão de “amor ao poder”. “Tem pessoas que falam comigo: ‘você poderia ter sido presidente do Brasil, poderia ter dado mais colaboração ao Brasil’. Poderia se eu não tivesse errado.”

O ex-governador disse ainda que queria dar “um recado à nova geração de políticos” e que se desculpa sempre com os filhos e a mulher, Adriana Ancelmo. A minha recomendação é: a corrupção é uma praga. Eu devia ter dito ‘não’ a tudo isso. É irresistível. Cabral afirmou que o seu maior arrependimento foi ter reunido empresários envolvidos nos seus atos de corrupção em torno da candidatura de Luiz Fernando Pezão (MDB) ao governo do Rio, em 2014. “Digo a todos os políticos: não tentem fazer os seus sucessores a todo custo. Eu quis fazer o Pezão a todo custo e, para isto, reuni os meus treze principais colaboradores no Palácio Guanabara”, afirmou.

Cabral foi denunciado 29 vezes no âmbito da Lava-Jato no Rio e trocou a sua defesa em dezembro. Antes, ele assumia o caixa 2 em campanhas, mas jamais falava em corrupção. Após a troca de advogados, mudou a estratégia. Em fevereiro, Cabral admitiu pela primeira vez o recebimento de propina durante seus dois mandatos e apontou o ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) como recebedor de valores indevidos. No depoimento, o ex-governador mencionou políticos filiados a cinco partidos. A maioria, supostamente beneficiados com repasses ilegais da Fetranspor, que gerencia os ônibus no Rio.

Aécio Neves

“Tenho uma relação afetiva muito grande com Aécio Neves. Eu chamei o Lavouras e mandei procurar o Osvaldo que é o homem que cuidava do dinheiro dele. O Aécio não participou da reunião, essa reunião foi entre mim e o Lavouras. Depois, ele [Aécio] me ligou pra agradecer. Eu mandei dar R$ 1,5 milhão pra ele desse dinheiro. Eu mandei dar também R$ 1,5 milhão da OAS pra ele”.

Anthony Garotinho (PRP)

“No ano de 1999, surge o Anthony Garotinho como novo governador. Sem o nível do [Leonel] Brizolla de encampação das empresas, ele queria a redução das tarifas. A esta altura, já haviam três grandes empresário do setor no estado: Jacob Barata Filho, na capital, Luiz Carlos Lavouras, na região metropolitana, e Amaury Andrade, no interior. O Garotinho queria colocar o Andrade como seu interlocutor, já que ele dava propina ao Garotinho em Campos dos Goytacazes. Deste modo, a ‘caixinha da Fetranspor’ no setor executivo seguiu acontecendo no governo no Garotinho”.

Eduardo Paes

“Em 2008, ano eleitoral, tudo foi convertido para campanhas. A campanha de Eduardo Paes (hoje no DEM, na época no MDB) à prefeitura recebeu R$ 6 milhões. Pedi este valor ao Barata e Lavouras, era um pedido pessoal, dentro deste contexto do nosso acordo”.

Pico de doações a Pezão (MDB)

O ex-governador disse que em 2010, na sua campanha à reeleição, recebeu doações de R$ 20 milhões da Fetranspor. Mas foi em 2014 que as doações atingiram os seus valores máximos.

Crivella

“Assim que acabou o primeiro turno [em 2008], o terceiro colocado na corrida me procurou. Era o Marcelo Crivella (PRB). Eu e ele sempre tivemos uma relação respeitosa e fraternal. Disse que estava sendo pressionado a apoiar o Fernando Gabeira (que disputava com Paes o segundo turno), mas não queria apoiá-lo por questões religiosas. O Armínio Fraga teria oferecido a ele 1 milhão de dólares. Pedi um tempo, liguei para o Eike Batista e fui à casa dele. Expliquei a ele que precisava de US$ 1,5 milhão, ele aceitou pagar. Paes soube desta situação toda e foi no dia seguinte à casa do Eike. Crivella chegou à casa dele e ficou combinado.

Moreira Franco

“Entre 1987 e 1990, por intermédio do então governador Wellington Moreira Franco (MDB), criam-se as soluções jurídicas necessárias para que as empresas deixassem de ser encampadas e a surge a primeira propina na Alerj. O então deputado estadual Gilberto Rodrigues era quem administrava a propina na Alerj. No executivo, Moreira Franco e Carlos Navega [procurador de Justiça morto em 2017] trabalhavam o trâmite de distribuição de propina na Alerj.”

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