Em depoimento à Operação Lava-Jato, dois ex-executivos da empreiteira Andrade Gutierrez que fizeram delação premiada disseram que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) exigia 5% de propina em troca de contratos de obras como a reforma do Maracanã, o Arco Metropolitano e a urbanização de favelas de Manguinhos.
As delações de Clóvis Peixoto Primo e Rogério Nora de Sá incluem ainda outros nomes: o ex-secretário de Governo do Estado, Wilson Carlos, o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, e Carlos Miranda, apontado nas delações como operador dos pagamentos a Cabral nas obras do Maracanã.
Nos depoimentos, os ex-executivos contaram aos procuradores que se reuniram no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, para tratar do pagamento de propina e que, na maioria das obras, o percentual cobrado por Cabral era o mesmo 5% dos contratos das obras do Maracanã, do Arco Metropolitano e da urbanização no Conjunto de Favelas de Manguinhos.
Delações
De acordo com os depoimentos, até nas obras em que não havia dinheiro do Estado, Sérgio Cabral exigia o pagamento de propina.
Rogério de Sá afirmou que, durante uma reunião para cobrar créditos atrasados do governo com a Andrade Gutierrez, o ex-governador pediu propina de 1% sobre as obras de terraplanagem do Comperj, uma das principais obras da Petrobras no País, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio.
Nos depoimentos, os delatores afirmaram que Sérgio Cabral avisou que tudo estava acertado com o ex-diretor da Petrobras e condenado na Lava-Jato, Paulo Roberto Costa. Rogério de Sá então procurou Paulo Roberto na estatal e ouviu dele: “Tem que honrar”.
Em seguida, o ex-executivo da construtora conta que a Andrade Gutierrez pagou 2,7 bilhões de reais ao então ex-governador.
Ainda segundo Rogério de Sá, quem fez a operação do pagamento usando o caixa dois foi Alberto Quintaes, que era diretor comercial da construtora.
Comunicado de Cabral
Em nota, Cabral manifestou indignação e repúdio às declarações. Disse que manteve só relações institucionais com a Andrade Gutierrez, que jamais interferiu em processos licitatórios de obras, nem solicitou benefício financeiro próprio ou para campanha eleitoral. Cabral afirmou, ainda, que pautou sua gestão pela autonomia de seus secretários. Sobre o suposto envolvimento do ex-governador em propinas no Comperj, Cabral disse que a Polícia Federal propôs o arquivamento do inquérito por ausência de veracidade e fundamento. (AG)
