O Ministério da Saúde confirmou a saída de Nelson Teich. Em conversa com Bolsonaro, nessa sexta-feira (15), no Planalto, o agora ex-ministro apontou as duas razões principais para sua saída.
O ponto central, conforme informou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, é a divergência entre Bolsonaro e Teich sobre o uso da cloroquina — no que o Conselho Federal de Medicina também discorda do presidente.
Teich também não gostou de ter sido ignorado sobre a decisão de aumentar o rol de atividades essenciais.
Teich e Bolsonaro também vinham discordando sobre o plano de diretrizes para a abertura do País. Bolsonaro segue defendendo a adoção do isolamento vertical, quando especialistas defendem que algumas cidades terão que adotar o bloqueio total, ou lockdown.
Protocolo
Um protocolo atualizado para o uso do medicamento cloroquina no tratamento da covid-19 está sendo preparado pelo Ministério da Saúde, conforme nota divulgada na noite dessa sexta. De acordo com a pasta, o uso do medicamento será indicado também em casos leves.
A decisão será tomada mesmo depois de estudos recentes apontarem que a droga utilizada contra a malária não teve a eficácia comprovada contra o coronavírus Sars-Cov-2, que possui efeitos colaterais e pode estar associada a aumento de mortes entre os pacientes de covid-19.
A medida vai se aplicar também à hidroxicloroquina, que é um derivado da cloroquina e guarda as mesmas propriedades, mas tem a toxicidade atenuada.
Médicos, os dois ex-ministros da Saúde da gestão Bolsonaro eram contra a ampliação do protocolo. O ex-ministro Nelson Teich, exonerado nessa sexta, lembrou que o medicamento tem efeitos colaterais e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta chegou a dizer que o uso de cloroquina em casos leves poderia levar ao aumento de hospitalizações por causa de problemas cardíacos.
Protocolo anterior
De acordo com o próprio Ministério da Saúde, antes do novo documento que está em elaboração, o protocolo válido é o publicado em 1º de abril de 2020.
O documento relata que distúrbios vasculares e retinopatia estavam entre os efeitos colaterais. Também afirmavam que era “estreita” a janela terapêutica (margem entre a dose terapêutica e dose tóxica). “O seu uso deve, portanto, estar sujeito a regras estritas, e automedicação é contra-indicada.”
Mesmo com ressalvas, o protocolo previa o uso em duas situações: “pacientes hospitalizados com formas graves da COVID-19” e em “Casos críticos da Covid-19”. A dosagem indicada mudava em cada condição, mas o tratamento indicado permanecia limitado ao máximo de cinco dias.
O protocolo também fazia recomendação de que deveria ser mantido o monitoramento do funcionamento do coração por meio de eletrocardiograma.
