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O ex-ministro Henrique Meirelles investe 250 mil reais por mês na tentativa de ser o candidato do MDB à Presidência da República

Henrique Meirelles não causa prejuízo ao MDB, pelo contrário, é um candidato muito rico. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Henrique Meirelles ainda ocupava o gabinete principal do Ministério da Fazenda quando, em meados de março, escutou um conselho que o fez reagir: “Isso já passou, ou vou ser presidente ou não vou entrar nesta disputa”. Um dos quase 20 interlocutores que ouviu antes de decidir concorrer à sucessão de Michel Temer recomendou que ele pleiteasse uma vaga mais simples, no Senado. Recebeu a negativa pronta.

A dúvida não era o cargo, mas se valeria a pena investir toda sua energia – e parte de sua fortuna pessoal – em uma campanha presidencial nebulosa, esgarçada na radicalização entre direita e esquerda no País.

Eva, mulher de Meirelles, foi fundamental para dizer que sim. E, a partir dali ele passou a encarar o que diz ser sua última oportunidade política: aos 72 anos, tornou-se pré-candidato do MDB ao Planalto e tem investido alto para tentar tirar sua campanha do imobilismo.

Empacado há meses com 1% das intenções de voto, segundo as pesquisas do Datafolha, o ex-ministro da Fazenda montou uma equipe robusta. Seu time tem dois marqueteiros, um analista de pesquisas, dois assessores de imprensa, um coordenador de agenda, um de programa de governo e até uma fonoaudióloga, para melhorar sua dicção.

Segundo aliados, os gastos com a pré-campanha chegam a cerca de R$ 250 mil por mês, pagos com recursos próprios. Quando viaja pelo País, vai de jatinho fretado e leva pelo menos dois assessores por trecho, com diárias e alimentação no orçamento.

Questionados pelo jornal Folha de S.Paulo, interlocutores da campanha diz que as despesas mensais são inferiores a R$ 250 mil, mas não detalham valores. Auxiliares de Meirelles afirmam que, a partir de agosto, quando a disputa começa oficialmente, com horário eleitoral na TV, ele deve gastar “uma fração” dos R$ 70 milhões permitidos para o primeiro turno das eleições presidenciais. Esse é o teto fixado pela Justiça Eleitoral para gastos nas campanhas à Presidência.

O ex-ministro sabe que vai depreender remessas na casa dos milhões, se necessário, inclusive, atualizando os contratos dos publicitários.

Ser um candidato muito rico é um de seus principais trunfos para convencer o MDB de que é o nome ideal do partido para a sucessão de Temer.

Somente em 2016, por exemplo, quando ainda não era ministro do governo, Meirelles faturou mais de R$ 200 milhões com consultorias. Ele não causa prejuízo à sua sigla, pelo contrário. Pagando-se integralmente, permitirá o investimento do dinheiro dos fundos partidário e eleitoral – de mais de R$ 300 milhões – exclusivamente nas campanhas de deputados, senadores e governadores do MDB.

O problema é que mesmo investindo pesado sua campanha não decolou. Atrelado à imagem de Temer, o presidente mais impopular da história – com 82% de reprovação, segundo o Datafolha -, e com os números da economia ainda patinando, o ex-ministro precisou dobrar a aposta.

A contratação de Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio Neves (PSDB) em 2014, marcou uma mudança no tom de sua campanha, agora mais agressiva, com ataques diretos aos adversários Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT).

Ele deu início à ofensiva com a divulgação, em suas redes sociais, de vídeo em que atacava Ciro e explorava declarações de Bolsonaro contra as mulheres.
No filme, Bolsonaro aparece em uma cena de 2013 em que xinga a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) de “vagabunda”. Em seguida, outra imagem vem à tona, em que ele chama uma jornalista de “analfabeta” e “idiota”.

Contra Ciro, considerado um político de personalidade explosiva, foi incluída uma cena em que o ex-ministro é mostrado gritando que “Lula é um merda”. Na voz de um locutor, Meirelles é vendido como o homem do diálogo, da calma e da experiência.

A aposta do ex-ministro é no horário eleitoral, a partir de 15 de agosto, o que justificaria a contratação de uma equipe experiente e robusta. Com 86 segundos no rádio e na TV, ele acredita que poderá finalmente crescer nas pesquisas. Deve citar Temer pouco (ou quase nada) e investir na imagem de Lula. O discurso é o de que, como presidente do Banco Central do governo do petista, ele foi o responsável pelos bons índices econômicos da época.

Até lá, porém, Meirelles precisa conseguir o apoio do MDB para oficializá- lo candidato e amenizar a rejeição ao partido para a formação de alianças, além de transformar todo o investimento em intenção de voto, o que parece ser seu desafio mais hercúleo.

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