O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, se apresentou na tarde desta quinta-feira (24) à PF (Polícia Federal) em São Paulo. O juiz federal Sérgio Moro determinou na quarta-feira (23) a prisão de Delúbio, condenado por lavagem de dinheiro em um processo da Operação Lava-Jato, em 2017.
Delúbio entrou por uma portaria reservada aos funcionários da PF. Ele foi levado ao Instituto Médico Legal, onde passou por exame de corpo de delito e voltou para a sede da PF na Lapa, na Zona Oeste de São Paulo.
O advogado Pedro Paulo Guerra de Medeiros, que defende Delúbio Soares, disse que recorrerá ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). A defesa considera a condenação absolutamente ilegal, pois nenhuma das testemunhas confirma que Delúbio solicitou qualquer empréstimo ao PT ou a qualquer outra pessoa.
O defensor pediu ainda à Justiça para que Delúbio cumpra a pena em Brasília para ficar mais perto da família. Segundo ele, a ideia é que o ex-tesoureiro do PT fique no presídio da Papuda até que a juíza Carolina Lebbos, responsável por acompanhar o cumprimento das penas na Lava-Jato, decida se ele pode ficar lá ou se precisa ser transferido para Curitiba (PR).
Recurso negado
A defesa de Delúbio teve o último recurso negado em segunda instância nesta quarta pelos desembargadores do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), com sede em Porto Alegre.
Os advogados apelaram com embargos de declaração depois que Delúbio teve a condenação confirmada e a pena aumentada de cinco para seis anos pelos desembargadores do tribunal, em março deste ano.
Essa ação penal é um desdobramento do processo que condenou o pecuarista José Carlos Bumlai e dirigentes do Banco Schahin, por empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões concedidos pelo Banco Schahin a Bumlai.
Conforme os desembargadores, metade do valor foi repassada para a empresa Betin e a outra parte, para a Remar Agenciamento e Assessoria, que repassou quase tudo o que recebeu à empresa Expresso Nova Santo André, com o destinatário final sendo Ronan.
De acordo com a sentença, todas essas transações que envolvem os réus deste processo seriam fraudulentas e teriam por objetivo disfarçar o destino do dinheiro. Nos autos, não há investigação sobre a motivação do PT para entregar os valores a Ronan.
Porém, o MPF (Ministério Público Federal) levantou a hipótese de uma suposta extorsão praticada por Ronan contra o PT, o que não foi esclarecido e não era o foco da denúncia, relativa ao crime de lavagem de dinheiro.
PT
O PT disse que não há no processo nenhuma prova de empréstimo ou fraude envolvendo Delúbio Soares nem o PT. “É mais um caso de perseguição da Lava-Jato, que trata o PT como inimigo e deixou de combater a corrupção para fazer luta política”, disse o partido.
