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O exemplo Coreia

(Foto: Reprodução)

Os mais antigos vão lembrar do  antigo estádio Beira Rio, inaugurado em abril  de  1969, onde   havia no anel inferior do estádio um setor  onde os torcedores  assistiam ao jogo em pé.

Os preços eram populares, mas a visão do campo era muito  desconfortável  praticamente ao nível do gramado.

Pejorativamente foi batizada com o nome de  “Coreia” em alusão ao país do leste asiático que passava por uma difícil situação na época.

 Nos anos subsequentes ao final da guerra da Coreia (1950 -1953) o país  tinha  uma  péssima qualidade de vida,  pobreza extrema e  dificuldades de toda ordem.

A Coreia do Sul figurava como um dos piores países  do mundo, com PIB per capita de U$64 por ano!

 Sem recursos naturais, analistas do Banco Mundial consideravam a Coreia um caso perdido.

Com o final da guerra, os dirigentes coreanos criaram um projeto chamado “ Milagre do rio Han”, nome do  principal rio que corta Seul e símbolo da modernização.

Foco absoluto em  educação de qualidade e incentivando a criação de grandes conglomerados empresariais, os chamados  Chaebols (empresas familiares) que tinham como missão desenvolver produtos de alto valor agregado com objetivo de exportação, e as empresas  eram premiadas e incentivadas pelo governo.

Com a ajuda dos EUA, a Coreia do Sul  fez reformas estruturais  no país , aplicou  uma  rígida disciplina e com  honestidade coletiva avançaram  baseados em três pilares:

 Educação , saúde e tecnologia de ponta.

A partir da década de 1960, montaram  um robusto programa de intercâmbio de  professores coreanos com os EUA de forma a aprender  pedagogias modernas e eficientes.

Professores Norte americanos também foram ao país e criaram centros de formação de professores do ensino profissionalizante.

Dezenas de escolas de educação foram construídas  com  técnicos em pedagogia e com maciços investimentos  em ensino, mas veja,  há diferença entre  investir  e gastar.

Já no final da década de 1960 a Coreia alcançava o posto 55° no ranking dos países  praticamente igualando ao Brasil.

O salto nos resultados vieram a partir dos anos 1980 com o alto desenvolvimento tecnológico e   exportação de manufaturados de  grande valor agregado, como chips, semicondutores , eletrônicos e automóveis.

 A Coreia pulou para 31° e o Brasil se manteve no  55° lugar do ranking de desenvolvimento.

Na década de 1990 com a entrada de vários novos países no ranking da ONU (fim da União Soviética), a Coreia ainda manteve-se no  32° lugar, já  o Brasil caiu para 60° lugar no índice de Desenvolvimento Humano.

O último IDH foi medido em 2023 e a Coréia subiu para o 20° lugar do mundo  ao lado da Suíça e à frente da França!

E nós, que na década de 1960 jocosamente fazíamos  piada com a miserável  Coreia, amargamos   hoje o  89° lugar .

Temos  que aprender que educação é um investimento de médio prazo.

Que educação tem que ser  política de Estado não de governos.

Não pode o governante do momento querer  resultados na educação  em seus  quatro anos de  governo ou pior,   de empurrar para o próximo governo os problemas estruturais da educação.

Pelo quadro atual podemos afirmar que o Brasil até gasta muito em educação, porém o retorno é pífio.

Já na economia, sem qualidade  no ser humano, optamos pelo modelo de exportação de commodities , matéria prima básica e agricultura e importação de manufaturados à rodo!

Que beleza!

Depois de quase seis décadas o Brasil, que era uma promessa para si e para o mundo como país do futuro e com seus números de hoje   estaria  na “Coreia” do estádio Beira-rio de 1969.

Duas nações,  uma promissora que primeiro perdeu tempo e depois andou para trás.

 A outra, encontrou o seu  caminho pelo trabalho e esforço e hoje é um país de primeiro mundo.

Rogério Pons da Silva 

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