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Com o dólar mais fraco e inflação em queda, os brasileiros voltam a viajar

Em agosto, turistas do País deixaram 1,3 bilhão de dólares no exterior. (Foto: Reprodução)

A queda da inflação em 2017 e o dólar mais baixo ante o real estão fazendo os brasileiros retomarem as viagens ao exterior. Desde maio, o déficit mensal do País na conta de viagens internacionais tem sido superior a US$ 1 bilhão, algo que não se via desde meados de 2015. Em agosto, conforme dados do BC (Banco Central), os turistas brasileiros deixaram em outros países um total de US$ 1,29 bilhão. Esse é o maior valor para meses de agosto desde 2014, quanto atingiu US$ 1,86 bilhão.

Os gastos de brasileiros no exterior cresceram em um período no qual o dólar está mais comportado. Em 2016, entre janeiro e agosto, a cotação da moeda variou entre cerca de R$ 4 e R$ 3,20. Neste ano, porém, a variação é bem menor: a moeda norte-americana começou cotada por volta de R$ 3,27, chegou a R$ 3,30 ao final de junho, após tensões políticas, e baixou para R$ 3,15 no fim de agosto.

A queda do dólar deixa mais baratas as despesas lá fora, com hotéis e passagens, por exemplo. Além do dólar, o início da retomada do crescimento na economia brasileira, registrada nos dois primeiros trimestres deste ano, também favorece as viagens ao exterior, segundo analistas. No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, ainda de acordo com dados do BC, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 14,4 bilhões, com aumento também de 35% em relação ao mesmo período do ano passado.

Estrangeiros

Em agosto deste ano, informou o Banco Central, os estrangeiros gastaram US$ 455 milhões no Brasil, com queda frente ao patamar registrado no mesmo mês de 2016 (US$ 602 milhões). “A despesa líquida com viagens internacionais [despesas de brasileiros no exterior, menos gastos de estrangeiros no Brasil] totalizou US$ 1,3 bilhão, 87% superior à registrada em agosto de 2016, resultado de elevação de 35% nos gastos em viagens ao exterior, e redução de 24% nas receitas auferidas em viagens ao País”, informou o BC.

Já no acumulado dos oitos primeiros meses deste ano, os gastos registrados pelos estrangeiros no Brasil totalizaram US$ 3,95 bilhões – também com recuo frente ao mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 4,22 bilhões.

E economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2017, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,639 trilhão. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. No primeiro trimestre, a economia avançou 1,0%, interrompendo uma sequência de dois anos de PIB negativo.

Os dados do PIB mostram que o brasileiro voltou a gastar. O consumo das famílias subiu 1,4% no segundo trimestre, após oito trimestres de retração e um de variação nula. Embora a maior parte das famílias tenha usado o dinheiro do FGTS para pagar dívidas ou poupar, parte dele foi usado no consumo, disse a coordenadora do IBGE, Rebeca de La Rocque Pali.

Rebeca apontou que o consumo foi beneficiado por “uma junção de fatores positivos” que compensaram os números do mercado de trabalho. Ela citou o crescimento de 2,3% da massa salarial real, a queda da taxa básica de juros, a inflação mais baixa e o crescimento do crédito. “Além disso, teve a liberação das contas inativas do FGTS. Embora a maior parte das famílias tenha usado esse dinheiro para pagar dívidas ou poupar, parte dele foi usado no consumo.”

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